Quando o óbvio ficou praticamente concluído, como as infra-estruturas básicas de saneamento, os autarcas parecem ter ficado sem saber bem o que fazer ao dinheiro. É mais ou menos a partir dessa altura que começamos a ver disparates. Cada concelho quis ter o seu centro cultural e a sua piscina, o que resultou, regra geral, na falta de massa critica para espectáculos ou a termos estruturas de desporto que se degradaram ou partiram logo com uma enorme falta de qualidade.

Paralelamente assistiam-se a “obras de arte”, que merecem mesmo aspas, em rotundas. E hoje em dia, apesar das juras em defesa do ambiente, assistimos a rotundas com relva quando temos um problema de escassez de água. E fomos vendo fontes, invariavelmente iguais em vários concelhos, como se houvesse uma espécie de catálogo que percorria o país com o mesmo fornecedor. A grande moda destas autárquicas parece ser construir o nome da cidade ou da vila em letras garrafais.

Também em cada ciclo eleitoral vivemos o mesmo inferno de estradas de pantanas. E o inferno ainda mais grave de assistirmos à eliminação de árvores que, quando são substituídas, padecem do habitual erro de poupar onde não se deve, comprando quase arbustos que frequentemente não resistem. E lá vemos as praças e os passeios à torreira do sol.

Enquanto se atira literalmente dinheiro para a rua, as necessidades essenciais ficam esquecidas. É vulgar andarmos pelas vilas e cidades e ver o Centro de Saúde ou a esquadra de polícia degradados, as escolas, hoje menos esquecidas, mas que podiam estar muito melhor. E faltam médicos e enfermeiros, faltam polícias, enquanto a autarquia vai empregando cada vez mais pessoas.

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