As leguminosas, para além do seu papel fundamental na alimentação humana, possuem características únicas que as distinguem das outras culturas agrícolas – melhoram a qualidade dos solos e mitigam as alterações climáticas – contribuindo para a sustentabilidade do planeta.

Os solos contribuem de forma direta para o bem-estar humano, na medida em que oferecem uma panóplia de serviços básicos e vitais aos ecossistemas. São fornecedores de alimentos, reservam água e contribuem para o sequestro de gases com efeito estufa.

Devido ao crescimento da população e às mudanças dos padrões alimentares, nunca foi tão grande a necessidade de produzir mais alimentos. A adoção de práticas agrícolas mais rentáveis e a preservação e melhoria da qualidade dos solos contribuem decisivamente para esse objetivo.

As leguminosas fazem parte de um grupo restrito de plantas que desenvolveram a capacidade de fixar azoto (N2) atmosférico através de um processo chamado “fixação biológica de azoto”. Este processo resulta da simbiose entre as bactérias fixadoras de azoto e as leguminosas. As bactérias encontram-se alojadas em órgãos especializados formados nas raízes das leguminosas, denominados nódulos, onde convertem o azoto atmosférico em compostos de azoto (amónia, nitritos e nitratos), que podem ser utilizados pelas plantas, diminuindo assim a necessidade de utilização que fertilizantes sintéticos à base de azoto e melhorando a fertilidade dos solos. Estima-se que, globalmente, cerca de 190 milhões de hectares de leguminosas contribuam para fixar cinco a sete milhões de toneladas de azoto nos solos. Por conseguinte, a redução do uso de fertilizantes sintéticos diminui, indiretamente, a quantidade de gases com efeito de estufa libertados na atmosfera.

O papel das leguminosas não passa despercebido, pois a fixação biológica de azoto é particularmente importante para a produtividade agrícola global, e pode ser considerada um dos processos biológicos mais importantes do planeta, segundo a Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO).

A presença de leguminosas nos agroecossistemas ajuda a manter e/ou aumentar a vitalidade e a atividade da biomassa microbiana nos solos alimentando, assim, os organismos responsáveis por promover a estrutura do solo e a disponibilidade de nutrientes. Um elevado nível de biodiversidade do solo proporciona aos ecossistemas uma maior resistência contra perturbações como pragas e doenças. Algumas variedades de leguminosas promovem também a libertação/solubilização do fósforo ligado/insolúvel no solo, tornando-o assim disponível quer para as culturas companheiras, quer para as culturas subsequentes, contribuindo também, desta forma, para o aumento da fertilidade dos solos. Através dos fenómenos mencionados acima, as leguminosas podem ajudar a restaurar/melhorar solos degradados e a proteger os solos da erosão (através dos seus sistemas radiculares profundos).

Para além de melhorar a saúde dos solos, as leguminosas também ajudam a mitigar as alterações climáticas. A sua inclusão em diferentes sistemas de produção agrícola e o papel das leguminosas nos ciclos do azoto e do fósforo, contribuem para reduzir os inputs necessários (fertilizantes, energias fósseis) e as emissões gases com efeito estufa (dióxido de carbono e óxido nitroso), aumentando, ainda, o sequestro de carbono nos solos. Assim, as leguminosas são consideradas “inteligentes” do ponto de vista climático, pois adaptam-se, simultaneamente, às alterações climáticas e contribuem para a mitigação dos seus efeitos.

A produção de leguminosas requer menos água relativamente à produção de outras fontes proteicas, como se verifica nos exemplos indicados abaixo:

Litros de água por quilograma de alimento

Estudos demonstram, que uma transição para a adoção de dietas que contêm uma menor quantidade de produtos de origem animal e, consequentemente, uma maior variedade de alimentos vegetais, constitui uma das opções de mitigação mais eficiente para reduzir as pressões ambientais do sistema alimentar.

Em suma, as leguminosas podem ser aliados estratégicos na manutenção da saúde do solo, na recuperação de solos degradados e na melhoria do bem-estar humano global, bem como podem desempenhar um papel importante na manutenção da segurança alimentar, do estado nutricional das populações e da saúde humana, contribuindo para tornar a agricultura mais sustentável e ajudando a mitigar as alterações climáticas e suas consequências.