Que impacto tem a maneira como cuidamos de uma criança no desenvolvimento desta mesma criança? Quanto tempo dura o efeito do stress familiar sobre os nossos filhos? O que é que mais influencia o desenvolvimento neurológico dos bebés? E qual o papel que os pais realmente têm no desenvolvimento dos seus filhos? Estas e outras questões tão importantes como estas têm respostas cada vez mais específicas. As Neurociências revelam evidências científicas exaltantes e hoje não só sabemos que todos os bebés nascem ligados por sentimentos, como percebemos que o ambiente dos primeiros tempos de vida é radicalmente importante para o seu desenvolvimento intelectual, emocional, psicológico, físico e até artístico. Note-se que não se trata apenas de conforto no sentido de os alimentar, lavar, vestir e pôr a dormir, mas acima de tudo da qualidade do colo e da natureza dos laços afectivos de quem cuida deles nos primeiros tempos. Tudo o que acontece nos primeiros meses e anos de vida importa e marca para sempre, dizem os neurocientistas, os pediatras e os comportamentalistas especializados em desenvolvimento humano.

Muitos pais homens, por exemplo, ainda ignoram que os anos mais importantes dos seus filhos são os três primeiros, e destes três, o primeiro! E mais, desconhecem que neste primeiro ano de vida, os tempos realmente decisivos são os primeiros meses. Ou seja, os meses em que as mães cuidam naturalmente dos bebés, mas em que também a presença e proximidade do pai, os seus mimos e cuidados, o seu colo, o seu toque e a sua voz multiplicam fabulosamente as sinapses. E são estas ligações entre neurónios que as mães e os pais (ou quem os substitui) provocam nos seus bebés, através do seu amor e da maneira terna como se relacionam com eles, que potenciam todo o seu desenvolvimento futuro. Os que ainda acham que os bebés são exclusivamente das mães e apenas para as mães cuidarem nos primeiros tempos de vida, estão redondamente enganados e vivem à margem de algumas das descobertas científicas mais maravilhosas de sempre! Não sabem que o desenvolvimento de um bebé se potencia através da vinculação precoce à mãe e ao pai (ou a quem os substitui, insisto, pois há muitos bebés órfãos ou a quem os pais biológicos não assistem, mas nem por isso estão desprovidos dos estímulos das chamadas ‘sinapses do amor’) e que quanto mais fortes forem estes laços, mais forte será também a estrutura da sua personalidade.

A investigação científica torna cada vez mais claro que o amor e o investimento bem dirigido nestes primeiros meses e anos tem efeitos a longo prazo, e tudo aquilo que hoje contribui para o bem-estar emocional e físico dos bebés, vai ter impacto nas suas vidas amanhã. E, consequentemente, nas comunidades a que pertencerem e nas sociedades que construírem.

Vem tudo isto a propósito da grande conferência internacional “Love Synapses – Building Strong Children, Families and Communities”, que já se anuncia para Janeiro e vai trazer a Portugal alguns dos grandes ‘Papas’ da Pediatria e Neurociências. O encontro entre especialistas nacionais e internacionais está marcado para 26 e 27 de Janeiro, na Fundação Calouste Gulbenkian, e durante 2 dias teremos em Lisboa o melhor de Harvard e… de Portugal. Os oradores e os temas são fascinantes e tanto apetece ir conhecer e ouvir Charles Nelson (a lenda viva da Pediatria e Neurociências contemporâneas) inaugurar as conferências a falar das ‘sinapses do amor’, como ver Marta Moita, Investigadora Principal da Fundação Champalimaud, evoluir ‘Da Molécula ao comportamento’. Joshua Sparrow vem falar de saúde e educação através dos célebres ‘Touchpoints’ e Kevin Nugent vem reforçar o valor de descobrirmos o bebé e todo o seu potencial. Tão importantes como os especialistas internacionais, são os investigadores e cientistas nacionais que falarão sobre os Desafios da Educação nos primeiros tempos de vida, mas também de tudo aquilo que vai da Neurociência à Relação, bem como dos valores da família, da adversidade na vida dos bebés e ainda de questões relacionadas com a saúde mental em idades precoces. Em resumo, todos eles sublinharão uma e a mesma coisa: só o amor multiplica as sinapses do amor.