Muitos fatores permanecem desconhecidos nesta “primavera pandémica”. Enquanto surgem inúmeras teorias sobre a origem da Covid-19, sobre a propagação do vírus, sobre taxas de imunidade ou sobre que vacinas / tratamentos serão mais eficazes, há uma certeza inequívoca: o “novo coronavírus” forçou e acelerou mudanças profundas em todos os níveis da sociedade.

Certamente algumas dessas alterações serão apenas circunstanciais, mas um olhar atento sobre os novos padrões de consumo, pode ser crucial para identificar a chave do sucesso em algumas áreas de negócio.

A necessidade de estabilidade, passou a invadir a nossa mente (sobretudo na vertente de consumo). Conseguimos, antecipar que este mindset irá permanecer no curto/ médio prazo e que num horizonte de recessão, os gastos tenderão a ser mais cautelosos e refletidos. As prioridades serão revistas e no topo das prioridades emerge a preocupação com os pares, passando a haver um forte espírito comunitário de entreajuda, de solidariedade, de apoio aos que mais precisam (seja por condições financeiras precárias ou por limitações físicas).

Se antes da Covid-19 se pensava que cerca de 1 em cada 4 pessoas sofriam de ansiedade, a obrigatoriedade do isolamento, a par com o medo do desconhecido veio naturalmente potenciar este traço de personalidade individual. Mas aqui, a tecnologia e o digital foram os grandes protagonistas, na medida em que contribuíram de forma definitiva para manter algum equilíbrio mental ao encurtar o distanciamento social (redes sociais), facilitar as rotinas diárias (e-commerce) e proporcionar momentos de lazer (serviços de streaming e apps entre outros).

Na realidade, este vírus veio contaminar de forma definitiva a nossa rotina diária, fazendo com que as nossas casas, que até então eram nosso refúgio, passassem a funcionar simultaneamente como um local de trabalho, de compras, de escola, de espaço de entretenimento (incluindo até a prática de exercício físico). Podemos até mesmo dizer que foi a Covid-19 que nos proporcionou o “sabor agri-doce” em relação ao teletrabalho… e a convicção de que só é bom, quando não é definitivo!

Também o transporte passou a ser mais um foco de preocupação. A relutância em utilizar os serviços públicos, pelo risco de contaminação associado, conduziu à procura de opções de “transporte seguro” alternativas e sustentáveis. E, de repente, o sector auto que foi fortemente fustigado por este furacão pandémico, consegue vislumbrar alguma retoma, num horizonte temporal bem mais breve que o inicialmente previsto.

Em suma, fomos forçados a um “novo normal”, com mudanças estruturais na vida das pessoas, das organizações e da sociedade, desafiando mais um passo gigante na evolução da humanidade! Nada será como antes e as marcas/ empresas/ negócios terão de ser bem mais flexíveis, velozes e perspicazes na sua adaptação face a estas mudanças tão evidentes na vida de todos nós.