Assunção Cristas não resistiu. Sentindo que o país poderia estar perto de uma sublevação cívica que destruiria a “geringonça”, expulsaria António Costa do poder e deixaria Marcelo Rebelo de Sousa a tremelicar no Palácio de Belém, a líder do CDS achou que a atitude mais sensata era juntar-se às massas que preparavam a revolução. Por isso, quando lhe colocaram um microfone à frente, assegurou, em tom patriótico: “Nós no Parlamento temos insistido em muitas das teclas que estão neste momento a ser tocadas por este movimento”.

O “movimento” de que falava Assunção Cristas eram os autodenominados “coletes amarelos portugueses”. O que quer dizer, como toda a gente hoje sabe, que não estamos propriamente a falar num “movimento” — a não ser que consideremos que atravessar repetidamente a estrada numa passadeira configura uma definição de “movimento” para efeitos políticos.

Não é especialmente grave que Assunção Cristas tenha atrelado o CDS a uma irrelevância — afinal, isso não é inédito na gloriosa história de um partido que já teve um grupo parlamentar que cabia dentro de um táxi. Mas já se torna preocupante perceber que a líder do CDS, que sonha ter mais votos do que o PSD nas próximas legislativas, tem o seu programa eleitoral à venda para quem gritar mais nas redes sociais.

Adolfo Mesquita Nunes bufa, sua e esforça-se na desesperada tentativa de transformar o partido na “grande casa da direita”; e depois, de repente, sem que se perceba como nem para quê, Assunção Cristas troca a “grande casa” por uma pequeníssima casa e a “direita” por um anarquismo delirante.

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