Em Fevereiro, surgiram as primeiras notícias sobre a chegada da doença à Europa, nomeadamente no Norte de Itália, o primeiro surto a fazer-nos equacionar as consequências da sua eventual progressão. Sabemos agora, o nível de infeções cresceu de forma silenciosa e exponencial atingindo números que os hospitais não conseguiram suportar. De um dia para o outro, numa das mais prósperas regiões do planeta, sucedeu o inimaginável; houve que escolher quem ajudar, ou quem, simplesmente, abandonar.

Um pouco antes do colapso na resposta hospitalar realizou-se um evento que viria a ser descrito como uma verdadeira bomba biológica. A confluência de dezenas de milhares de pessoas num estádio em Milão para um jogo de futebol da Liga dos Campeões criou as condições perfeitas para um vendaval de infeções, ultrapassando cadeias de contágio relativamente contidas como são as familiares ou laborais. Em apenas um par de horas estas cadeias multiplicaram-se de forma descontrolada.

Com a situação já em níveis alarmantes em Itália, Madrid celebrou o Dia Internacional da Mulher, com a presença de cerca de 120 mil pessoas, tornando-se o epicentro da pandemia nos dias seguintes. Em França, Alemanha e no Reino Unido, outras manifestações, de cariz religioso, cultural ou desportivo, foram também identificadas como a origem de grandes focos de transmissão.

Nunca será possível saber ao certo quantas mortes poderiam ter sido evitadas com o cancelamento destes e outros eventos, mas não será despropositado afirmar que muitas famílias perderam entes queridos cedo demais. E muitas mais seriam se não se tivessem cancelado feiras, festivais, manifestações ou eventos desportivos.

Depois de tomadas as medidas que se aprendeu serem necessárias, caberá aos diferentes governos equilibrarem as necessidades das populações com o controlo da doença. Serão decisões políticas que refletirão, nalguns casos de forma acentuada, as ideologias, forças e fragilidades dos partidos políticos que os formam.

Em Portugal, será difícil gerir a sobrevivência de um governo que tanto depende de uma afinadíssima e omnipresente máquina de propaganda; que se limita a alimentar questiúnculas internas e a equilibrar contas com recurso a cortes aleatórios; que nada fez para impulsionar um tecido empresarial que sobrevive apesar do estado, ao invés de em sua companhia prosperar.

O estado da economia portuguesa pré-Covid já era preocupante. Lenta, mas seguramente, o país deslizava nos índices económicos da UE, tendo nos últimos anos sido ultrapassado por uma mão cheia de países cujas economias apenas há pouco tempo começaram a recuperar dos crimes e desvarios comunistas. A crise presente irá acelerar esta queda, poucos (diria nenhum) países estão tão mal preparados como nós e mais rapidamente chegaremos ao pódio. Dos últimos.

Nunca um governo PS sobreviveu a uma crise económica, e a que agora começou será a maior de sempre. Depois do previsível aumento de popularidade resultante do episódio de mobilização nacional, os portugueses começarão a questionar as razões de um impacto tão mais brutal na nossa economia do que em outras. A realidade sobrepor-se-á à ilusão porque a fome tem tendência a tirar magia à vida. António Costa e seus correligionários apercebendo-se agora de que a frágil situação do país poderá levar ao fim prematuro do seu tempo no poder, tudo farão para garantirem o apoio daqueles que já anteriormente lhes venderam a salvação da ignomínia.

Depois de sujeitar os portugueses a uma governação negociada com a extrema-esquerda com o objetivo único de manter o poder, estará desta vez o Primeiro-ministro na disposição de avançar para o derradeiro sacrifício, trocando vidas por votos?