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Aos amigos e amigas brasileiras

1. Não conheço o Brasil, mas tenho em relação aos brasileiros o sentimento de  fraternidade originado por uma língua e uma história em comum. Estive apenas em Brasília em 2013, logo após a fundação do Institute of Public Policy numa reunião entre organizações da sociedade civil e governos de vários países de língua oficial portuguesa sobre transparência orçamental. O Brasil é, a partir de dados objetivos, dos países mais transparentes no mundo (77% em 2017 em que 100% é o mais transparente) no que toca ao orçamento federal/nacional. Está à frente de Portugal (66%), por sua vez muito distante dos restantes PALOPs em que a opacidade é dominante (ver aqui). Na altura Portugal não fazia um “orçamento cidadão (OC)” — um documento a explicar aos cidadãos as prioridades do Orçamento do Estado e como é financiado – e elaborámos o primeiro OC.  A transparência é uma condição necessária, mas não suficiente para se ter níveis baixos de corrupção. Por isso não surge como paradoxal que o Brasil, apesar dessa transparência  esteja muito mal no  índice de percepção  de corrupção (35%, com 0 para altamente corrupto)  bem pior do que Portugal (65%). Tudo indica que os níveis efetivos, não observados de corrupção sejam bem elevados. Quanto às  estatísticas de violência, em particular as taxas de homicídios intencionais, não há dúvidas: o Brasil pertence ao grupo dos países com maior taxa de homicídio (liderado por São Salvador, Honduras, Venezuela, etc.), mas sobretudo tem visto essa taxa aumentar nos últimos anos. De 2010 a 2016 o Brasil (23,7 para 29,5 por 100.000 habitantes) conseguiu mesmo ultrapassar a Colômbia (que desceu de 65,7 para 25,5). Se os crimes de ódio são muitos, aqueles motivados por homofobia são anda em maior proporção. Não admira que haja cada vez mais brasileiros a abandonar o Brasil, muitos dos quais a vir para Portugal, conforme confirma o serviço de estrangeiros e fronteiras.

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