O cancro do pulmão é um dos tumores mais frequentes a nível mundial. Pode crescer sem produzir sintomas, mas, muitas vezes, o tempo entre o aparecimento dos sintomas e a procura dos cuidados de saúde é demasiado longo, o que dificulta o seu diagnóstico em fases iniciais.

Por outro lado, os sintomas são desvalorizados ou ignorados por serem semelhantes a outras doenças, como a doença pulmonar obstrutiva crónica, dificultando, uma vez mais, um diagnóstico em fases iniciais.

Esta dificuldade expõe o quão importante é agir perante sinais de alerta. É necessário consultar imediatamente um médico, pneumologista ou de Medicina Geral e Familiar, que melhor do que ninguém conhecem a história clínica dos seus doentes e conseguem orientá-los para que a causa dos sintomas seja corretamente diagnosticada.

Mas para isso é preciso que as pessoas saibam quais os sinais de alerta para o cancro do pulmão – e será que sabem?

Recordo o relatório do “Programa Nacional para as Doenças Oncológicas” publicado em 2017 pela Direção-Geral da Saúde, que refere que os portugueses são capazes de nomear, em média, dois sintomas de cancro do pulmão. Contudo, muitos mais existem e é necessário estar atento. Eles podem variar de acordo com a localização do tumor e o estádio de desenvolvimento em que se encontra.

Os fumadores têm frequentemente tosse e expetoração diárias pelas alterações brônquicas provocadas pelo tabaco. Se essa tosse passar a ser persistente, ou a expetoração tiver características diferentes, nomeadamente com sangue, devem ser valorizadas.

Refiro-me aos fumadores, porque cerca de 85% de casos de cancro do pulmão surgem em fumadores. Para além disso, o tabaco está associado ao desenvolvimento de vários outros tumores, doenças respiratórias e cardiovasculares.

Deixar de fumar reduz significativamente o risco de cancro do pulmão e quanto mais cedo o fizer, menor será o risco. Caso não o consiga fazer sem ajuda, procure aconselhamento médico, este é um passo importante para a sua saúde, e com o auxílio de um profissional de saúde conseguirá adotar estratégias que lhe permitem abandonar este hábito.

Outros sinais ou sintomas considerados de alarme são as infeções respiratórias mais frequentes, o aparecimento de dificuldade respiratória, dor torácica permanente, rouquidão, cansaço fora do habitual, ou perda de peso de causa desconhecida.

Na minha prática clínica, realço duas situações que têm vindo a ser motivo de preocupação desde que a pandemia começou. Os doentes que efetuaram exames, mas que, por receio de contrair a Covid-19, não voltaram às unidades de saúde para mostrar os resultados e, de igual modo, os que desvalorizam os sintomas e adiam a consulta para quando a pandemia acalmar.

Ambas as situações refletem atraso no diagnóstico e, consequentemente, quando feitos, encontraremos potencialmente a doença numa fase mais avançada. Aí, a possibilidade curativa, por cirurgia, acaba por ficar muitas vezes excluída e a esperança assenta numa terapêutica mais conservadora.

No caso de surgirem sintomas ou alterações radiológicas suspeitas, deve ser iniciada investigação sem demora. Mesmo nesta fase de pandemia.

As unidades de saúde têm aplicados procedimentos e circuitos adequados para garantir a segurança de todos e minimizar o risco de contágio. Adiar consultas e exames médicos em nada vai ajudar. Um alerta importante para os fumadores passivos e ex-fumadores que continuam a ter risco: é determinante apostar no alerta aos sintomas que possam surgir e privilegiar uma vigilância médica com a realização de exames regulares.

O diagnóstico precoce é fundamental para proporcionar uma terapêutica eficaz.