Como sabes, Os enfermeiros portugueses estão numa “luta” reivindicando uma Carreira Especial de Enfermagem nova. Estas reivindicações são ajustas e ajustadas pelo que somos, fazemos e sustentamos no Serviço Nacional de Saúde.

Saberás com certeza, que desde 2017, essencialmente, já fizemos muitas greves, manifestações, “Revolução dos Cravos Brancos”, vigílias, e até “Greves Cirúrgicas 1 e 2”.

Saberás também, que muitos destes teus futuros colegas não progridem há 15 anos. Não tem salários actualizados, estão esgotados, sofrem burnout, e recentemente foram insultados de muitas coisas, quer por governantes e políticos, mas também por aqueles a quem dedicamos todo o tempo da nossa profissão, muitas das vezes exercendo a função de advogado do doente.

Saberás com certeza, porque já estagiaste, que estes mesmos enfermeiros que são espoliados, insultados e desrespeitados, são os mesmos que dedicam muitas horas a orientar-te nos estágios, nos nossos serviços, a ensinar-te. São os mesmos que te ensinam a ser enfermeiro, para além do que a tua escola ou universidade te ensina. São estes mesmos, teus futuros colegas, que provavelmente ajudaram a tua mãe a que nascesses e por ventura, estiveram à cabeceira da cama, dia e noite, tratando e cuidando de algum familiar teu, ou até ajudando que partisse para o caminho da longa viagem, com o máximo de conforto e serenidade.

Já verificaste também que estes teus futuros colegas muitas vezes não tem tempo para almoçar, porque tem doentes para posicionar, porque tem que criar condições de conforto e administração de medicação para alívio das dores, do mal-estar e até ouvindo as angústias e confissões de desespero, em momentos de expressão da maior confiança e cumplicidade. E quantas vezes, pelas unidades de cuidados primários, fazem-se inúmeros quilómetros para admitir um doente, no seu domicílio para a “rede de cuidados continuados”, para administrar uma medicação, para mudar um penso, mudar uma algália que entupiu. Tudo serviços e cuidados de enfermagem com qualidade, dedicação e competência.

Depois do que disse, hoje escrevo para ti. Escrevo-te de certa maneira, desiludido, porque não te vi nos momentos de luta, na rua, nas manifestações, nas vigílias. Não vi uma massiva presença de todos vós, que amanhã sois enfermeiros!

Porque esta luta que encetamos é em parte para dar resposta, no presente, às nossas necessidades e reivindicações, mas muito do que reivindicamos é de certa forma e em grande parte, para o futuro da classe, para ti/para vós alunos do curso de enfermagem.

Dito isto, permite-me que te deixe um desafio: Dia 8 de Março vamos fazer uma “Marcha Branca pela Enfermagem” em Lisboa. Muitos de vós, alunos do curso de enfermagem, sois mulheres, todos vós são filhos de linda e belas mães. Todos nós queremos homenagear a Mulher. É hora de te juntares aos enfermeiros. Pensa nisso! O teu futuro passa por esta linda profissão. Não desperdices a oportunidade de poderes viver esta experiência e seres um rosto desta “Marcha Branca pela Enfermagem”.

Pensa sempre que, juntos somos mais fortes!

Enfermeiro especialista em Saúde Comunitária