Dirijo-me ao presidente do PSD e não ao cidadão Rui Rio, o qual tenho a felicidade de não conhecer e de nunca com ele ter privado. O assunto que me leva a escrever, no quadro da liberdade de expressão e de opinião, consagrado na nossa CRP, não é pessoal, não é com o presidente do PSD, com o cidadão, é com o presidente do PSD, dirigente do partido do qual sou militante.

Sou transmontano e, como transmontano, sou frontal e sincero, pelo que permita que lhe diga, com toda a franqueza, que, como presidente do PSD, é a maior desilusão política de que há memória na história do Partido. Há muito desejado para presidente do PSD, quase como um D. Sebastião, vindo das trevas de Alcácer Quibir, teve todas as condições para ser um grande presidente e líder do partido. Infelizmente, não teve nem arte, nem engenho para alcançar o que se esperava de si e o que esperavam os militantes que o escolheram. Por isso é/está presidente do PSD, mas nunca será líder do PSD.

Lamentavelmente, chumbou logo na primeira missão que tinha, pacificar e unir o partido, optando por desunir e, pelo confronto, por ser esse o terreno em que, como confessa, se sente melhor e mais à vontade.  Ainda recentemente, em entrevista para assinalar os seus três anos de presidência, referiu-se de forma inqualificável ao militante e presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras.

Palavras pouco dignas do presidente de um dos maiores partidos na história da nossa democracia!

Parece precisar desses momentos de prepotência, de confronto, de guerrilha, para se afirmar! Alimenta-se desse confronto, autofágico para o PSD!

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Se em vez de perder tempo a criticar os militantes do PSD fizesse a análise crítica do Governo socialista; se em vez de perder tempo com as críticas para dentro do partido, apresentasse propostas para Portugal… possivelmente tinha o caminho aberto para ser Primeiro-Ministro.

Porém, o seu sonho parece ser Vice-Primeiro-Ministro do Dr. António Costa e, nesse seu sonho, arrasta o nosso partido para a mediocridade.

Ao optar pelo confronto, não conseguiu chamar os melhores para o combate político, saneando-os, na boa tradição de outros partidos. Entrincheirou-se junto dos seus fiéis, tornando-se, (por muito que me custe dizer isto), presidente de facção.

Os três anos que leva como presidente do PSD caracterizam-se por verdadeiros desastres políticos para o partido. E eis-nos na iminência de mais um: as eleições autárquicas. O processo autárquico deveria ter sido iniciado, no mínimo, há dois anos, para agora, aqui chegados, estar tudo tratado e afinado. E tratado sem rancores, de espírito aberto, chamando os melhores, mesmo que tivessem apoiado outras candidaturas para a liderança. Sempre foi assim no nosso PSD, até à sua presidência.

Mas para além de não ter tido arte e engenho para chamar os melhores, ainda saneia os que se tinham disponibilizado para esse combate, com o apoio das concelhias e distritais.

O requinte do erro e do desnorte é tanto que, no mesmo dia da entrevista ao Observador, em que diz que não vai impor nada às estruturas locais, manda um dos seus ajudantes de campo comunicar ao companheiro Nuno Freitas, candidato a Coimbra, escolhido pela concelhia e distrital, que o seu nome tinha sido vetado pela Nacional.

Que falta de coerência, que ausência de projecto, que facciosismo serôdio!

Até entendo a razão deste saneamento. Para si, para a sua CPN, para os seus fiéis, a facção que consigo controla o PSD, o Nuno Freitas tem cinco defeitos: é inteligente; pensa pela sua cabeça; diz, sem medos, o que pensa; apoiou o Miguel Pinto Luz; e nunca apoiou candidatos contra o PSD, como alguns o fizeram em 2013, apoiando o agora não confiável Rui Moreira contra o candidato do PSD, Luís Filipe Menezes.

Poderíamos pensar que, ao sanear o Nuno Freitas, Rio teria uma estratégia definida para Coimbra bem como um nome de peso para encabeçar a candidatura. Rapidamente percebemos que a desorientação é total e aquilo que tem para oferecer a Coimbra é uma mão cheia de nada.

Poderemos estar à beira de um desastre sem precedentes.

Para coroar esta opção, invoca uma sondagem, coisa que sempre tem desvalorizado e de que é um violento crítico. Ou será que agora já são boas porque lhe dão jeito? Ou será que as sondagens foram apenas o álibi perfeito para a sua falta de coragem em assumir com frontalidade, olhos nos olhos, como deve ser, que vetava o nome do Nuno Freitas porque não quer que ele seja o candidato?

Não venho aqui pedir a cabeça de ninguém, venho apenas, como militante de base, pedir alguma serenidade e bom senso no processo autárquico, pois talvez ainda estejamos a tempo de mitigar alguns danos.

Ao sanear o Nuno Freitas, tomou uma decisão errada e contrária ao espírito dos Estatutos, e este é o registo de que houve um militante de base, mas cidadão livre, que teve a franqueza misericordiosa de lho dizer.

P.S.: Na pessoa do Nuno Freitas expresso toda a minha solidariedade para com todos os outros candidatos que venham a ser saneados por este presidente de facção.