Todos os que conhecem um pouco da história da II Guerra Mundial, conhecem a Linha Maginot. Os franceses esperavam – sentados – os alemães, pelo lado que seria o mais expectável. Os boches, contrariando o mito de que não fazem nada fora do manual, investiram pelas Ardenas e foi o que se sabe. Encurralaram a Força Expedicionária Britânica, assim como muitos soldados franceses, nas praias de Dunquerque.

A analogia é simples: a direita portuguesa, esperou pacientemente – e calmamente – na sua própria “Maginot”, construída ao longo dos anos, à volta dos seus partidos.

Vejamos: a direita continua à espera do discurso do camarada Vasco para assustar a classe média. Perscruta o horizonte à procura de manifestações de um povo descontente, que não aparecem. Continua a entender que as suas tropas precisam é de saber marchar, tocar os bombos e fazer a continência, não dando conta que os soldados não confiam nos oficiais e que estes, estão gordos de tanta inação.

Nada acontece na nossa Linha “Maginot”. No entanto, num ataque em tenaz, Bloco, PAN e Comunistas cercam a defesa patriótica dos imóveis defensores.

O verdadeiro ataque – a blitzkrieg – está em andamento e não são ataques suicidas, em vagas, tipo I Guerra. São cirúrgicos, esquivos. Planeados.

As esquerdas radicais repararam que as “Ardenas” estavam desguardadas e, é por aí que têm atacado. As forças de direita em Portugal, ao saírem desordenadamente da sua linha fortificada, têm sido derrotadas, estando agora encurraladas na sua “Dunquerque”. E, de Dunquerque, como sabemos da história, só se sai com o povo.

Assim, a pergunta que se coloca, é a de como vamos pedir ao povo, que nos ajude a evacuar de “Dunquerque”, a fim de reagrupar e voltar à carga. Para mim, acaba por ser relativamente simples.

1º passo? Não subestimar o adversário. Os snobes franceses e ingleses de 39/40, não davam um tostão pelos nazis e muito menos pelo ex-cabo que os chefiava. Quando acordaram para a realidade já o comboio ia a alta velocidade. Catarina Martins é uma falhada actriz de teatro, sem saber acumulado em arte alguma, ou carreira no que quer que seja? Sim, é. Tem capacidade para ser governante deste país? Não, não tem. No entanto, pode vir a ser.

Jerónimo é um ex-operário de coisa nenhuma, porque esteve sempre na política. Nem sequer tem no CV as agruras das prisões do Estado Novo. Num qualquer país, minimamente decente, nunca seria governante de coisa alguma. Cá, pode vir a ser.

André Silva é um dissimulado, que nada percebe de ecologia e que tem uma inexplicável agenda de animalismo? É. Pode vir a ter um peso importantíssimo, na futura estabilidade governamental? Inacreditavelmente sim.

2º passo? Não acreditar em boas intenções, vindas de quem vêm. Bem que Chamberlain foi avisado sobre os acordos de Munique…

3º passo? Dizer as coisas tal qual elas são: os socialistas portugueses são os oportunistas de Vichy. Isso mesmo. Preferem dormir com o inimigo e fechar os olhos aos “crimes” dos seus parceiros, do que terem a coragem de assumirem os seus erros e pagarem por isso. A forma como conseguem viver para poderem continuar a ter a sua vidinha orientada, é, do ponto de vista moral, o comportamento mais abjecto.

4º passo? Descolar frontalmente de populistas e extremistas que têm a visão redutora – e errada – de entender que os assuntos se resolvem com a suspensão da democracia. Isso nunca.

5º passo? Tocar a reunir, falar ao coração das pessoas, esquecer o politicamente correcto, dizer o que queremos mesmo fazer, sem pensar no que isso pode significar em votos. Não entrar em barganhas políticas. Não enfiar nada na gaveta, tirar todos os esqueletos do armário.

Mas atenção: o povo só se une num objectivo comum, quando acredita em alguém. A esse alguém é exigida a coragem de dizer as palavras certas, nos momentos certos. Que afirme sem medo o que defende. E que o diga em alto e bom som nas nossas serras, nas nossas praias, nas nossas cidades, aldeias e lugares. Que diga que nunca se renderá.