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Há por trás duma mulher grávida, qualquer coisa de mágico. E, seguramente, de  divino. E, por isso mesmo, de omnipotente. É “um estado de graça”. Uma experiência tão, inacreditavelmente, transcendente que custa imaginar que qualquer “tremor de terra” a possa comprometer. Ou, mesmo, interromper.

E, no entanto, há um momento — regra geral, numa ecografia — em que a rotina da avaliação de um bebé sofre um sobressalto. E, depois de um silêncio, tenso e prolongado, um  obstetra muda a expressão do seu olhar, e passa e repassa a sonda na barriga e, depois de algum tempo de hesitação, nos diz que o foco da ecografia “negativou”. Que é uma forma de nos justificar, com vergonha e impotência, que não apanha o “ruído cardíaco” do bebé. O que, por outras palavras, quer dizer que ele… morreu. Dentro de alguém que, até entrar naquela consulta, tinha, de certo modo, “o rei na barriga”.

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