A irritação do Governo com a OCDE foi divulgada pelo Expresso (para assinantes). A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) faz, a cada dois anos, um relatório sobre os seus estado-membros. Este é o ano de Portugal. Como se sabe há décadas, os temas do relatório são escolhidos em conjunto pela Organização e o Governo da altura. Desta vez alguma coisa correu mal ou o Governo nunca pensou que um dos temas com que concordou acabasse por tocar no problema da corrupção.

Na perspectiva do Executivo, não existem razões para dar atenção ao tema da corrupção. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva afirmou que “se o relatório fosse transformado numa simples listagem de ideias feitas, percepções, estereótipos, seria muito errado e Portugal teria de protestar”. (Pode ler-se aqui). A imagem do país seria afectada.

Se o objectivo foi evitar que a imagem do país fosse afectada, o protesto tornado público obteve o efeito contrário. A associação Transparência e Integridade, pela voz do seu presidente João Paulo Batalha, já enviou uma carta ao ministro Augusto Santos Silva. Nas declarações que faz ao Expresso afirma que “o arrufo do Governo com a OCDE é mais próprio de regimes autoritários do que de democracia aberta”. Que efeitos terá esta actuação no ranking da Transparência Internacional mais tarde saberemos.

A Transparência Internacional é responsável por um dos mais importantes índices sobre percepção de corrupção, o último dos quais publicado há cerca de um ano. Pode-se criticá-lo, dizer que são “percepções” não são factos, mas é este um dos índices usado quando se quer olhar para a corrupção por países.

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