Fazer previsões em política é ainda mais perigoso do que tentar fazê-las no futebol. Assumo que fiz parte dos muitos que apostavam que não ia haver crise. Nas contas racionais que é possível fazer, a esquerda só tem a perder em ir agora a eleições. As sondagens ainda não o mostram, mas, acordando o monstro das eleições antecipadas, tudo pode mudar muito rapidamente.

Se este é o cenário racional, porque terão Bloco de Esquerda e Partido Comunista apostado tudo numa crise política que é em tudo parecida com aquela que fez cair José Sócrates, abrindo a porta ao governo de Passos Coelho? A resposta parece-me ser a constatação de que o casamento destes partidos com o Partido Socialista não lhes traz nada de bom. O PS não arrisca levá-los para o Governo porque verdadeiramente discorda no essencial dos caminhos que a extrema-esquerda propõe. BE e PCP acabam a perder o seu sentido no xadrez político. Os últimos seis anos provaram que o eleitorado não comprou a ideia de que continuavam a ser partidos de protesto, ao mesmo tempo que traziam o governo de António Costa ao colo. Foi uma boa tentativa, mas não resultou.

Aqui chegados, voltamos a 2015: a direita consegue encontrar pontes de entendimento que lhe permitam governar e a esquerda não. Os sinais são claros e estão à vista de todos. Compete agora à direita organizar-se de forma a mostrar que tem uma alternativa segura para o país com soluções para sairmos do pântano em que estamos de novo metidos e deixando de lado os extremismos inconsequentes.

Ao PS resta pedir uma maioria absoluta, muito pouco provável neste momento, ou então fica sem soluções. BE e PCP vão sofrer as consequências de terem namorado com o poder e de o terem abandonado a meio do caminho, mas pode ser que ainda fiquem de pé para reassumirem o seu papel de agitadores do regime.

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