O facto do PM e do líder do maior partido da oposição estarem entretidos a brincar com eleições mostra o nível de irresponsabilidade a que chegou a política nacional. Um quis antecipar eleições nacionais, o outro quer adiar eleições no partido. Comecemos pelo PM, António Costa. Antes das eleições autárquicas, percebeu que havia uma boa oportunidade para causar eleições antecipadas. O país saía da pandemia com uma campanha de vacinas vitoriosa, o dinheiro da Europa estava a chegar e o PSD estava muito fragilizado.

António Costa usou assim a campanha das autárquicas como um ensaio para eleições antecipadas. Andou em campanha por todo o país, como nunca se viu um PM fazer. Para Costa, houve uma campanha eleitoral nacional. Dava a vitória em Lisboa como garantida, acreditava que manteria Coimbra e o Funchal, e até sonhou em ganhar Viseu, onde foi no fim da campanha. Pelo meio, prometeu dinheiro a todas as autarquias socialistas, as presentes e as que seriam conquistadas.

Mais uma vez, a campanha eleitoral correu mal a Costa. Viu o partido socialista perder a Câmara de Lisboa. Esta derrota foi muito dura. O sucessor de Costa, Fernando Medina, na Câmara foi derrotado contra todas as sondagens e por uma campanha magnifica de Carlos Moedas. Lisboa deixou cicatrizes políticas em Costa e, quem sabe, a vitória de Moedas terá evitado eleições antecipadas. Além de Lisboa, o PS perdeu Coimbra, Funchal e Viseu. E, no Porto, sofreu um resultado miserável, uma derrota clara para a linha socialista radical de Pedro Nuno Santos.

A derrota de Costa – decididamente, Costa é fraco em campanhas eleitorais – obrigou-o a negociar com o Bloco e com o PCP, e até a estar disposto a aceitar acordos escritos. O PM enfrenta agora um dilema. Ou aceita condições das extremas esquerdas, que serão más para o país e pelas quais o governo pagará um preço alto no futuro, ou tem mesmo que ir para eleições antecipadas.

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