No momento em que escrevo esta crónica, a discussão do Orçamento do Estado para 2022 está no intervalo. Este não é, portanto, o momento apropriado para prognósticos. Momento esse que chegará, como escreveu na pedra o ex-lateral direito do FC do Porto, João Pinto, assim que a discussão findar. Estando o filme da discussão do Orçamento em tempo de intervalo, é então boa altura para trocarmos impressões sobre aquilo a que assistimos até aqui. E para fazer um chichi, também. Mas concentremo-nos na troca de impressões.

E a primeira impressão que me dá é que já vi este filme. Não vos soa familiar? Um gangue de partidos assalta os papalvos dos contribuintes e, quando tudo parece ir acabar bem para os meliantes, eis que há desvaneças entre os patifes na partilha do saque. Desavenças que podem, inclusive, conduzir a um final surpreendente em que nenhum dos partidos que levou a cabo o golpe consegue ficar com o seu quinhão do desfalque. Isso sim, seria um twist surpreendente. Ainda por cima logo num Orçamento em que o líder dos Costa’s Three conseguiu juntar o furto sem precedentes ao contribuinte nacional a um surripiar assinalável dos contribuintes frugais do norte da Europa.

Na verdade, podemos estar a assistir ao último capítulo desta parceria de sucesso no esmifrar dos recursos do país formada pelo PS, Bloco de Esquerda e PCP, sob o comando de António Costa. Sim porque em 2015 Costa pode ter mandado abaixo o que restava do muro de Berlim mas, neste momento, não parece capaz de construir pontes com os partidos comunistas. O que pode ser óptima notícia para os esquisitóides que consideram um bocadinho chocante pagar mais de metade do que ganham em impostos porque, se dúvidas havia, os últimos seis anos provaram que essas pontes do PS com os comunistas têm sempre, mas sempre – eh pá, sempre – portagens caríssimas.

A propósito de portagens caríssimas, já viram a que preço está a gasolina? Não, não, vejam outra vez, que entretanto já aumentou desde a última ocasião em que tinham visto. Atenção, neste momento é mais dispendioso atestar o depósito do carro do que atestar a existência de vida noutras galáxias. Acreditem, eu fiz as contas. Por estes dias, fica mais barato ir à galáxia de Andrómeda em busca de vida do que ir à loja do chinês sempre em ponto morto. Não posso é garantir que em Andrómeda se arranje, com facilidade, um depilador de sobrancelhas eléctrico com carregador USB, agora por meros 2,93 euros.

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