Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

O Governo viu-se cercado pela sua própria inoperância e incapacidade de tomar decisões de fundo e de planeamento nestes meses que antecederam a chegada da segunda vaga Covid-19. Tomou medidas avulsas, com dois pesos e duas medidas: 25 de Abril, 1º de Maio, Festa do Avante, Formula 1.

O Senhor Primeiro-Ministro, Dr. António Costa, na sua comunicação, várias vezes falou nos enfermeiros e particularmente dos “enfermeiros intensivistas”. E falou com uma ligeireza tal na contratação destes enfermeiros, como se abundassem e se fosse ao mercado e pronto, resolvia a questão, contratando e trazendo estes enfermeiros. Mas estão disponíveis “enfermeiros intensivistas”?

Senhor Primeiro-Ministro, os “enfermeiros intensivistas”, tal como das outras especialidades, depois de terminada a licenciatura, demoram muitos anos a adquirir formação, experiência, sabedoria, evidência científica e excelência neste exigente trabalho, que é cuidar de pessoas. Já agora é bom lembrar, que as especialidades, formações e pós-graduações que os enfermeiros adquirem, são a expensas próprias e no seu tempo livre. E isto porquê? Porque o Governo, o Ministério da Saúde e muitas administrações estão desfocados das necessidades e por isso, por muitos ventiladores que haja (uns nos hospitais, outros encomendados (?)), por muitas camas, por muitas unidades que se criem, se não houver recursos humanos, concretamente enfermeiros, de nada valerá!

Mas este Governo tem vindo a hostilizar os enfermeiros, negando-lhes possibilidades dignas de trabalho, remuneratórias, contagem de tempo e reposicionamento das progressões. Mas agora está aflito. Teria sido por “brincar” com os enfermeiros que perderam a maioria parlamentar nos Açores?

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Há enfermeiros desempregados, cujo levantamento e divulgação foi feita pela Ordem dos Enfermeiros, mas o Senhor Primeiro-Ministro anuncia a contratação de enfermeiros reformados. Parece haver aqui alguma contradição e desfocagem da realidade.

Finalizando, e sem retirar a importância e a preocupação com este vaga Covid-19 e com todas as outras doenças crónicas, oncológicas e as que estão por diagnosticar, está a mensagem do Senhor Primeiro-Ministro, Dr. António Costa, envolvida numa hipocrisia muito grande, aproveitando este tempo todo de televisão para propaganda política, mas sem medidas de fundo e, mais uma vez, fazendo remendos em cima de remendos, numa gestão de “navegação à vista”, deixando-nos preocupados. Assim não, Senhor Primeiro-Ministro, Dr. António Costa, assim não!