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Terminada a Web Summit, a recorrente palhaçada sobre tudo e nada, o típico certame mediático que congrega inutilidades, banalidades e vaidades, talvez haja esperança de que políticos e os agentes da mesma se voltem a concentrar no que é importante. Não tenho dúvida que esta “Summit”, para lá de ser um momento turístico e de importantes propagandas, publicidade onde abunda o desfile de personalidades movidas pelo ego e pela venda de si próprios, terá uma parte “subterrânea”, a que não passa em jornais e televisões, de verdadeira exposição de tecnologia, de soluções, de promoção e venda de produtos que podem fazer a diferença.

É como a política que tem um lado crescente, o do marketing, e outro minguante, o das ideias. O primeiro, por definição, vê-se. O segundo é escondido. Reparem como hoje se fala mais em “istas” e “ismos” com o quase prefixo que é o nome de alguém, Cavaco, Passos, Soares, Costa, etc. e não um princípio ou uma filosofia. Almoçou com Pedro Nuno, é pedronunista (leram bem o ridículo), gostou de um artigo do inefável Louçã, é louçanista, uma espécie de grossista de loiça em cacos. Coitado do Carlos Carreiras. Não soa bem ser seu apoiante e o homem não merece. Razão teve o Salazar que não quis ser Oliveira no final, apelido e corrente de pensamento mais adequado a marcas e produção de azeites. Quarenta e oito anos de oliveirismo? Nããã…

Por acaso, no rescaldo das autárquicas que, como é costume, ninguém perdeu e todos ganharam, não me passou despercebido o renascimento de cavaquismo e passismo que a esquerda tanto teme. É obra, digo eu, a recuperação reverencial e temerosa de dois governantes do PSD que deixaram marca. Serei cavaquista? Ainda sou passista? Já sei, trabalhei com eles e para eles, por Portugal. Um portugalista, portanto.

Neste estado de coisas, com parlamento nacional a caminho de ser desfeito e reeleito, penso que há uma parte dos eleitores que gostaria de ter espaço e informação para pensar mais em políticas, intenções de carater legislativo e estratégico, do que em táticas e egos ofendidos.

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É certo que o rosto de um líder, a sua voz, expressão, atitude e perceção de personalidade, é decisiva no momento de votar. Também é certo que lutas de “galos”, no pequenino conjunto eleitoral que é a sua capoeira, queria dizer o partido, não auguram nada de bom para combates na arena grande que é o universo de um eleitorado que, em primeiro lugar, é preciso convencer a ir votar. Em qualquer cenário, é sempre assim em todas as eleições, estamos todos dependentes de quem forem os candidatos. Num processo de escolha existe sempre o espectro de ficarmos reféns do “não havia melhor”. Se havia e não apareceu, é como se não houvesse. Talvez por isso, ficando uma ideia para reflexão futura, as “primárias” ideais seriam em sistema livre de indicação de candidatos preferidos pelos militantes dos partidos. Não seria prático, acredito, mas poderia evitar a dependência de putativos líderes que surgem nas refregas quando entendem que o tempo é o “seu”. O “seu” momento, jogado nas oportunidades e ganho com táticas que não prestigiam quem as pratica.

Nas eleições de 30 de janeiro vou votar no PSD. Desde já, pela primeira vez na minha vida, declaro o meu sentido de voto. O mais importante é reforçar o centro-direita e afastar o PS da maioria. Dará “geringonça”? Não sei. Uma coisa é certa, um PSD mais forte será melhor para Portugal. Dito isto, não sendo militante e, como tal, nada podendo fazer no que à escolha de futuro candidato a primeiro-ministro o PSD irá apresentar – e já disse que votarei no PSD seja lá quem for o seu chefe – sou forçado a reconhecer que poderá haver verdade num dos princípios de Barney Stinson, figura central de uma série cómica que vejo e revejo com deleite e muito riso, “How I Met your Mother” ou “Foi Assim que Aconteceu”:

-“New is always better”!

Será? Haverá quem contraponha:

-“Oldies but goodies”!

Uma coisa é certa, na ausência do Dr. Passos Coelho sabiamente retirado destas contendas, que ganhe o melhor dos que restam. O melhor em ideias e propostas políticas, o que prefigurar a mais forte alternativa ao PS, aquele que seja percebido como o primeiro-ministro de que Portugal precisa em 2022. Um candidato ao PSD que ganhe no partido e siga para ganhar eleições gerais. E o que for o melhor para o PSD será seguramente muito melhor do que o Dr. António Costa para o País.