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Economia em dia com a CATÓLICA-LISBON

Desperdiçar potencial humano?

Autor
  • Paulo Nuno Lopes

Os líderes, além de competência técnica, precisam de delegar, ouvir, dar coaching, liderar com perguntas e facilitar reuniões para mobilizar toda a inteligência, criatividade e experiência das equipas

É fácil. Não envolva os colaboradores na resolução de problemas. Não lhes lance novos desafios. Não os encoraje a propor novas ideias. Não os ajude a aprender consigo. E não os faça sentir que estão a contribuir para um projeto importante.

Acontece. Muito mais do que seria de esperar em pleno século XXI.

Diz-se que as pessoas são a chave para o êxito das organizações. A maquinaria e os serviços adquiridos a fornecedores externos não nos distinguem da concorrência. O talento e a motivação dos colaboradores são mais difíceis de replicar.

Mas afinal para que servem as pessoas? Os computadores dotados de inteligência artificial absorvem e analisam grandes volumes de informação muito melhor do que nós. Os robôs são mais potentes e mais rápidos. Motivar equipas, desenvolver colaboradores, potenciar a inovação e gerir a mudança são das poucas vantagens que nos restam.

Por outro lado, envolver os colaboradores em iniciativas de melhoria, inovação e mudança pode ser uma excelente forma de motivar, formar líderes, melhorar resultados e criar organizações ágeis.

Se fosse fácil, seria prática comum. Mas não é.

Em muitas empresas, os gestores estão tão absorvidos na operação ou pressionados por resultados de curto prazo que não conseguem libertar tempo e recursos para novos projetos.

Para empoderar colaboradores, é preciso que estes entendam a visão, a estratégia e os objetivos da empresa. É preciso partilhar informação e reforçar valores para que, no terreno, todos possam tomar decisões inteligentes alinhadas com os interesses do coletivo.

Os líderes, além de competência técnica, precisam de saber delegar, ouvir, dar coaching, liderar com perguntas e facilitar reuniões para mobilizar toda a inteligência, criatividade e experiência das equipas.

O CEO tem de acreditar que envolver as pessoas é decisivo para os resultados da organização. E tem de dar o exemplo, encorajando um diálogo aberto e opiniões críticas mesmo em contextos difíceis.

Mas que fazer, se a sua organização não reunir estas condições?

Dentro da área e equipa que lidera, cada gestor tem margem de manobra para envolver os seus colaboradores. Lance à sua equipa desafios focados em melhorar resultados de curto prazo e apoie a implementação de propostas válidas para obter melhorias a curto prazo. Desta forma, gera uma espiral positiva, demonstra o impacto de mobilizar a equipa e ganha credibilidade.

Para dinamizar uma iniciativa de envolvimento mais alargada, assegure-se que tem o apoio necessário. Um CEO autoritário, habituado a centralizar em si todas as decisões importantes, tenderia a minar a sua iniciativa. Um CEO ou um responsável por uma área de negócio que tem uma visão estratégica dos recursos humanos, ou um diretor de recursos humanos com visão do negócio e influência real na equipa de gestão de topo, poderia ser um grande aliado.

Mobilizar todo o potencial humano é um dos grandes desafios de gestão dos nossos dias – e a única forma de garantir emprego a prazo.

Professor da CATÓLICA-LISBON School of Business and Economics, co-coordena os programs Leading HR into the future e Leading and energizing teams for performance.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

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