O modelo antiquado de contratos e relações laborais, que vigora de forma generalizada em Portugal, entre empregados por conta de outrem e empregadores, é um dos principais entraves ao desenvolvimento da economia Portuguesa.  Não promove nem premeia o mérito, protegendo com mecanismos legais complexos o comportamento dos menos competentes, obrigando as empresas a substituírem-se à segurança social. É esse o entrave primeiro à evolução da produtividade, meritocracia e criação de riqueza em Portugal.

A responsabilidade deste entrave à criação e distribuição de riqueza assenta na ignorância dos legisladores e responsáveis pelas políticas laborais com base em dogmas de esquerda caduca e desatualizada, e que em muito prejudicam a classe trabalhadora que tanto clamam defender. É evidente que o modelo contribui para o antagonismo, desconfiança e afastamento, entre empregados e empregadores, causando, desse modo, fortes entraves ao desenvolvimento da economia.

A produtividade tem por base um conjunto de condicionantes, das quais destaco os níveis de formação, o modelo de gestão e liderança nas empresas, bem como os níveis de integração no desenvolvimento dos ciclos de negócios das componentes de inovação científica e tecnológica. Os níveis motivacionais associados ao reconhecimento e recompensa do mérito em contexto laboral são também centrais à produtividade e competitividade. Portugal encontra-se na cauda da Europa em termos de produtividade. Segundo os dados da PORDATA, em 2018, a produtividade do trabalho por hora trabalhada, em paridade de poder de compra, foi em Portugal de 26,1 quando a média na UE era de 40,7, encontrando-se apenas atrás do nosso país a Bulgária, a Letónia e a Roménia. No que respeita à população com o ensino secundário e pós-secundário, a média na UE (28 países) era de 45,8, estando Portugal na última posição com 24,8. É este o desfecho, desastroso e insustentável, de décadas de irresponsabilidade, que causaram profundas agruras ao nível da motivação, felicidade e produtividade associadas ao trabalho.

São necessários choques no modelo que tem vigorado no último século e que passam por um significativo aumento do salário mínimo nacional, dando a uma vasta faixa da população condições para terminar com ciclos crónicos de pobreza nas famílias. Organizações e sectores que não sobrevivam a esse choque devem ou deixar de existir ou reinventar-se. Em Portugal, segundo dados do INE, são cerca de 1,9 milhões que auferem rendimento entre 600 e 900 euros. Não é aceitável que um país teoricamente defensor dos direitos humanos conviva com níveis de dignidade laboral próprios de subdesenvolvimento cívico e económico. É igualmente indispensável a criação de mecanismos tabelados, no que respeita às compensações de saída, para a flexibilização e dignificação do despedimento. Dignidade laboral e meritocracia não podem conviver nem sustentar a displicência e incompetência. A lei laboral prejudica a meritocracia e protege a incompetência. É um evidente carcinoma económico.

Garantir a convergência dos recursos passa pela partilha da tomada de decisão e resultados. Esta evolução civilizacional ao nível laboral tem todos os ingredientes para contribuir na transformação do problema crónico da baixa produtividade em Portugal.

Introduzir o princípio da partilha dos resultados das empresas pelos detentores do capital, a gestão e os trabalhadores será um avanço muito relevante no reforço da convergência entre patronato e trabalhadores. Além dessas inovações estruturantes, devem ser promovidos na sociedade em geral modelos de incentivo e reconhecimento ao mérito. Pessoas motivadas e justamente reconhecidas geram índices de produtividade e felicidade que conduzem à qualidade de vida. Ao contrário da esquerda dogmática que insiste no conflito entre trabalho e capital, é imprescindível que a sociedade moderna encontre plataformas de partilha e convergência entre o trabalho e o capital.

Reconhecer a qualidade e importância do trabalho de cada um, constitui o primeiro nível de justiça e dignidade social. A minha experiência enquanto gestor indica que a introdução de modelos de cultura de meritocracia e dignidade laboral nos permitem crescimentos de 2 e 3 dígitos em indicadores de produtividade financeiros, de felicidade e qualidade de vida em contexto de trabalho. Os portugueses estão genericamente mal aproveitados e isso prejudica a riqueza e qualidade de vida. Este é um tema central à evolução civilizacional e económica do País.