O distrito de Setúbal é, provavelmente, o que melhor exemplifica o atraso a que uma região pode ficar sujeita, quando governada por comunistas e socialistas durante demasiado tempo. Na verdade, durante mais de 40 anos, este tem sido um distrito sucessivamente adiado, que tem vindo a perder população e está hoje mais envelhecido e mais pobre.

A 30 de Junho de 2021, comemorar-se-ão os 150 anos do nascimento de Alfredo da Silva, fundador do grupo CUF – Companhia União Fabril, empresa que surgiu da fusão entre a Companhia Aliança Fabril e a União Fabril. Em 1907, com a abertura de uma fábrica de adubos no Barreiro, foi lançada a primeira pedra daquele que viria a ser o maior conglomerado industrial da Península Ibérica. Alfredo da Silva foi o maior industrial português do século XX, resultado do seu espírito visionário e empreendedor, tendo tido um papel decisivo no desenvolvimento económico de Portugal. Com a criação do Grupo CUF, contribuiu para a modernização e crescimento das indústrias química e têxtil, para o incremento dos transportes urbanos e marítimos e da reparação naval, para o crescimento da atividade bancária e para a melhoria da prestação de serviços na área da saúde, a par de uma vasta obra social.

Após a morte de Alfredo da Silva, foi o seu genro, Manuel de Mello, que assumiu a liderança do grupo e estaria na base da construção do Hospital da CUF (em 1945), da Soponata (em 1947), projeto que cobriu a lacuna do país no transporte de combustíveis, e da Lisnave (em 1961), um dos maiores estaleiros de reparação naval a nível mundial. Tudo termina de forma abrupta com o 25 de Abril e as nacionalizações, que destruíram boa parte do legado de Alfredo da Silva.

Aquele que foi, outrora, um dos polos industriais mais importantes da Europa, está hoje abandonado e é a face mais visível daquilo a que o comunismo e o socialismo nos condenou nesta região.

Hoje, passados quase 150 anos do nascimento de Alfredo da Silva, mais do que nunca precisamos da sua visão. Qual deve ser o caminho para este distrito? Quais devem ser os investimentos prioritários?

Portugal atravessa um momento delicado da sua história recente. A atual pandemia acelerou o fenómeno do teletrabalho, o transporte aeronáutico levará um rombo do qual levará anos a recuperar e, perante isto, o que nos propõem os partidos do arco de governação, PS, PSD e CDS-PP?

  • Um aeroporto no Montijo, como mais uma vez defende o deputado do PSD Nuno Carvalho: “A construção do aeroporto no Montijo é uma decisão que já devia estar tomada e com um projeto em execução”, escreve, em artigo de opinião no Observador;
  • um túnel que ligue a Trafaria a Algés, como defende Inês de Medeiros, autarca socialista de Almada;

O que o distrito de Setúbal precisa não são obras megalómanas, muito menos nesta altura. O que este distrito necessita, urgentemente, é de um plano de recuperação económica sério, de apoio às empresas e famílias, que passará necessariamente por menos impostos.

O investimento público deverá ser canalizado para os desafios que o país terá terá de enfrentar no futuro, como, por exemplo, o inverno demográfico – os lares clandestinos proliferam e ninguém sabe o que lá se passa, como esta pandemia veio confirmar.

Entretanto, o Hospital do Seixal é uma promessa sazonal do PS, que só aparece em altura de eleições. E entre o aeroporto e o túnel, ficará, mais uma vez, esquecido.