Rádio Observador

Ásia

Do Oriente, bons ventos?

Autor
  • Eugenio Viassa Monteiro

Os ventos do Oriente sopram forte; a Europa deveria aproveitar, elevando-se da sua nulidade na companhia da Índia. Se não o fizer poderá ficar às ordens dos EUA ou reduzida à insignificância.

A Ásia do Sul e Leste está com forte dinamismo. Já fora assim no século XV e antes e nos últimos trinta anos alguns dos países mostram uma imparável vitalidade, que revitaliza a economia mundial.

A China já começa a abrandar o ritmo, que se manteve elevado por duas dezenas de anos, não sem criar receio do poder nas vizinhanças. A Índia está nitidamente a melhorar a sua peformance, sendo já o país de maior crescimento, que poderá durar mais de duas dezenas de anos; tem uma população jovem, ávida de trabalhar e ter sucesso.

Cada país deve tentar o seu melhor, e essa é a forma de influenciar e arrastar outros. Não fosse o crescimento da China, a Índia continuaria nos seus idealismos estéreis e perniciosos para os pobres; os governantes viviam bem acomodados e no luxo, e pouco sabiam da pobreza, apenas dos calhamaços de Marx. O intervencionismo estatal, de 1947 a 1991, afundou a população na miséria, após a longa e inqualificável exploração britânica.

Os progressos da Índia e a atração do seu soft power – um país pacífico, respeitador –, são saudados por todos. Internamente, Modi, tenta implicar o cidadão na reconstrução do país, com metas mobilizadoras; externamente, as suas visitas de Estado, deram um novo status e resultaram em parcerias de negócio e investimento importantes.

Os países democráticos estão desejosos de que a Índia ande depressa e, cada um à sua maneira, quer apoiá-la. E desejam a sua presença ativa e visível fora da Índia, perto dos vizinhos. Consideram uma aliança com ela um descanso, por ser potência fiável e amiga, face às potenciais ameaças de outros vizinhos arrogantes.

O Vietname cedeu-lhe a exploração de blocos petrolíferos, para a ter ‘mais vizinha’. O Sri Lanka elegeu um Presidente pró-Índia, pois a China tentava ter bases navais na ilha, que criariam incómodos. Japão, Austrália, China, EUA, França e Alemanha realizam fortes investimentos na Índia, na previsão de bons aumentos de comércio. A Oeste está o Irão, com boa colaboração com a Índia, que vêm de longe.

Do Médio Oriente e de países vizinhos, acorrem à Índia milhares em busca de assistência médica.

As pequenas ilhas do Índico: Sri Lanka, Maldivas, Maurícias e Seicheles, são praças que canalizam investimentos para a Índia; Modi visitou-as; estavam esquecidas, talvez pela incapacidade de a Índia resolver os seus próprios problemas, e pouco ter para lhes oferecer. Modi quer proporcionar-lhes material de vigilância costeira e de defesa e criar laços de amizade, comerciais e científicos, que elas agradecem.

A África continua no radar da Índia, onde o longo contacto e comércio é agora avivado com investimentos na agricultura e indústria local, para a ajudar o seu relançamento; talvez fosse mais interessante dar-lhes uma colaboração forte de técnicos especializados e professores Universitários, para terem, a prazo, uma produção local de técnicos e professores de alto nível, para porem o país em alta rotação.

A Europa continua fragmentada e paralisada, sendo o diálogo para um acordo de comércio livre, difícil, visto como bom para as duas partes. Criaria muito trabalho, mas há que contar com os lóbis das multinacionais farmacêuticas. A relação com os EUA continua a fortalecer-se; é país que valoriza o mérito e a capacidade de empreender: só na Sillicon Valley, 44% de todas as empresas criadas, são por indianos! E hoje, 50% das start-up são também de pessoas da Índia.

Não se pode encarar a Índia como um país subserviente às ordens da Europa ou dos EUA. Nunca o foi. Sempre cuidou o seu não-alinhamento, que muito preza; nunca alinharia em invadir o Iraque, pois a India sabe a desgraça que é a guerra: ela foi invadida por muitos, mas nunca invadiu ninguém! Nunca!

O ‘ocidente’ necessita de um aliado forte e fiável na Ásia, que só pode encontrar na Índia: importa estabelecer compromissos, quanto antes. Os ventos do Oriente sopram forte; a Europa deveria aproveitar, elevando-se da sua nulidade na companhia da Índia. Se não o fizer poderá ficar às ordens dos EUA ou reduzida à insignificância, à grandeza passada, dentro de uma fortaleza rica mas decadente, como a Roma antiga.

Professor da AESE-Business School. Dirigente da AAPI- Associação de Amizade Portugal-India.

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