Desde que foi reportado o primeiro caso em Portugal de Covid-19, no dia 2 de março de 2020, o número de casos positivos tem vindo a aumentar progressivamente.

Neste momento, em plena terceira vaga, estamos atingir o número total de um milhão de portugueses que já tiveram o teste positivo para o coronavírus. Este número será pelo menos o triplo, uma vez que muitos outros não fizeram o teste nem tão-pouco souberam que estavam infetados.

Toda esta situação gerou caos nos hospitais e centros de saúde, nomeadamente nas enfermarias e cuidados intensivos, com necessidade de se “inventarem” novas camas em vários hospitais para que os profissionais de saúde pudessem tratar os doentes com o mínimo de condições.

Nests pandemia, face ao número anormal dos utentes afetados no nosso país, comparativamente com os outros países da União Europeia e resto do mundo, a prioridade do nosso Serviço Nacional de Saúde foi centralizar esforços no controlo da própria pandemia em si.

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Foram contratados mais profissionais de saúde para combater em diversas frentes a propagação do vírus.

Com o agravar da situação sanitária, aliada ao medo dos cidadãos de recorrerem ao hospital e aos centros de saúde para não serem contaminados, também o confinamento obrigatório levou a que muitos doentes crónicos faltassem às consultas ou deixassem, mesmo, de ser avaliados pelo seu médico.

Esta redução de número de consultas em todo o país fez disparar outras doenças não Covid, com falhas importantes no diagnóstico atempado de doenças oncológicas e cardiovasculares, entre outras.

O efeito psicológico negativo da Covid-19 sobre o utente é cada vez maior à medida que são publicados novos efeitos do vírus, como as sequelas neurológicas e cardíacas que surgem a médio e longo prazo. E o medo aumenta cada vez mais…

A todo estes factores, já de si preocupantes, temos a acrescentar o componente social e económico dessas famílias que perderam o emprego ou que estão em layoff, reduzindo significativamente o seu poder de compra. Os medicamentos que lhes são prescritos, muitas vezes não são levantados nas farmácias, com todas as consequências que daí resultam para a saúde do utente.

Para minimizar o efeito nocivo sobre o cidadão comum, fruto da época anormal em que estamos a viver, é crucial que haja uma planificação adequada para que estes utentes sejam seguidos pelo médico e com apoio social na retaguarda.

Os médicos de família e dos hospitais têm um papel importante no apoio aos doentes crónicos. Devem criar equipas próprias para seguirem os mesmos nos respectivos domicílios. Este rastreio e seguimento destes utentes crónicos é um passo em frente para reduzir o aumento de incidência de antigas doenças já aparentemente controladas na era pré-Covid.

A pandemia atingiu o nosso país com números trágicos por falta de planificação adequada. Isto não implica que não tenhamos de pensar nas outras patologias que necessitam igualmente de seguimento regular por parte dos profissionais de saúde.

Não é fácil dar este apoio nesta fase crítica, mas também não podemos deixar de procurar soluções. É preciso encontrar o equilíbrio para que os doentes não Covid não sejam prejudicados em plena pandemia.

Não existe capital humano para visitar todos os utentes. Seria utópico pensarmos assim. Por este motivo, é preciso fazer o levantamento nacional dos doentes crónicos e atuarmos prioritariamente sobre aqueles que devem ser seguidos e observados com maior regularidade. Em todos os hospitais e centros de saúde é necessário haver organização, planificação e antecipação dos riscos. Nesta pandemia corremos sempre atrás do prejuízo, planificamos mal em quase tudo e fomos completamente desorganizados. Os maus resultados estão à vista de todos. Infelizmente.

Mas ainda podemos fazer o mais correto para o bem da população. Atuem rapidamente. Já chega de sermos campeões pelos piores motivos. Vamos inverter estes números. Já!