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A política portuguesa é agora assim: numa semana, estamos a discutir Joacine Katar Moreira; e na outra semana, a “eutanásia”. Os temas variam, o que não varia é a pressa e a confusão com que tudo passa, seja trivial, como a devolução de uns manipansos coloniais, seja fundamental, como a possibilidade de pessoas serem mortas nos hospitais e clínicas do país. No caso da eutanásia, são os seus proponentes que exigem rapidez e não se incomodam com equívocos. Duas horas do tempo parlamentar parece-lhes mais do que suficiente para aviar o assunto. Para eles, não existem dúvidas.

E no entanto, existem. Por exemplo: falam-nos da eutanásia como do “direito de morrer”, e, portanto, como de mais uma “liberdade” que o Estado se preparasse para nos conceder. Como se em Portugal os cidadãos estivessem sujeitos à obrigação legal de estarem vivos, ou os médicos forçados a manter sinais vitais nos seus doentes, custe o que custar. Não é o direito de morrer que está em causa nas propostas da eutanásia. É outra coisa: é o direito de matar. Hoje, matar alguém, mesmo que a pedido dessa pessoa, é sempre um crime. Com a instituição da eutanásia, deixaria de ser assim. As questões éticas e jurídicas daí derivadas, e não apenas para os médicos, vão muito para além do “direito” e da “liberdade” de um suicida, e merecem ser discutidas e esclarecidas.

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