Atualmente, não há polémica governamental que não envolva o Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita. O governante tem sido o rosto do falhanço e das situações mais escandalosas na história da nossa democracia. Governar deveria implicar sentido de Estado, algo que não existe na sua atuação política.

Desde a anterior legislatura, o ministro que substituiu Constança Urbano de Sousa tem sido o rosto da inoperância e da irresponsabilidade deste Governo. Relembremos o polémico caso das golas antifumo, onde se veio a concluir que estas eram inflamáveis, ou as sucessivas falhas no SIRESP, que foram constantemente ignoradas. Mais recentemente, o país assistiu incrédulo à notícia de um cidadão ucraniano, Ihor Homenyuk, que morreu às mãos de inspetores do SEF, num escândalo repugnante e desrespeitador dos direitos fundamentais que deveriam ser salvaguardados pelo nosso Estado de Direito. Um caso que deveria sempre implicar responsabilidade política, levou a que o ministro promovesse uma campanha de vitimização, procurando a todo o custo desviar as atenções e delegar as culpas nos seus subordinados, permanecendo no seu cargo. Finalmente, a requisição civil do empreendimento turístico Zmar é apenas o exemplo mais recente, tendo o Supremo Tribunal Administrativo aceite a providência cautelar. Mais uma vez, Eduardo Cabrita faz uma gestão danosa de tudo o que lhe compete.

Torna-se difícil elencar o pódio das situações mais polémicas do ministro. De facto, errar é humano e faz parte da vida, mas errar sempre e nunca assumir responsabilidades é uma proeza que não está ao alcance de todos. Numa sondagem da Aximage, realizada em dezembro de 2020 e muito antes de toda a polémica em torno do Zmar, 65% dos inquiridos entendia que o ministro não teria condições para permanecer no cargo.

Mais escandaloso, é ver como António Costa mantém de forma inequívoca a sua confiança em Eduardo Cabrita, para espanto e incompreensão de muitos. Um Primeiro-Ministro que, à semelhança dos seus membros de Governo, tem uma grande habilidade para ignorar e fugir dos problemas. Torna-se incompreensível a impunidade dos nossos atores políticos. Numa altura em que tanto se continua a invocar a culpa de Pedro Passos Coelho e do seu Governo para tudo, imaginemos o escândalo que seria se isto ocorresse sob a sua égide ou um Governo liderado pelo PSD. Os mesmos responsáveis políticos do momento (veja-se António Costa ou Eduardo Cabrita) seriam os primeiros nas fileiras a exigir responsabilidades.

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Em política, como em tudo na vida, os fins não justificam os meios. A forma como Eduardo Cabrita tem demonstrado uma maior vontade em assegurar a sua sobrevivência política do que em servir os Portugueses não dignifica a sua pessoa e muito menos o nosso sistema político. Um governante que, no momento da verdade, é incapaz de assumir os erros e que permanece impune a todos os acontecimentos.   

Há uns dias, o ministro referiu-se em tom irónico ao CDS-PP (e longe de mim, querer tecer comentários sobre outros partidos) como o “partido náufrago” do nosso sistema político. O que Eduardo Cabrita ainda não entendeu é que o seu navio já naufragou há muito. Se tivesse um pouco de sentido de Estado e respeito pelos portugueses, já teria apresentado a sua demissão. Afinal, a culpa não pode continuar a morrer solteira.