Rádio Observador

Eleições Europeias

Eleições para o Parlamento Europeu e as questões estruturantes

Autor
  • Isilda Pegado
146

Neste tempo de decisão há que pensar em que sociedade queremos nossa. Vivemos na Europa, mas qual o futuro da Igualdade, da Liberdade e da Solidariedade face à ofensiva de minorias pseudo-libertárias?

1. A União Europeia começou a ser desenhada logo após a II Grande Guerra e, fruto de vários Tratados gizados ao longo destas décadas, tem uma Identidade. Tem “pais” concretos que a conceberam (Robert Schuman, Jean Monnet, Konrad Adenauer, Churchill e tantos outros estadistas) a partir da sua condição real gerada ao longo de Séculos, com valores reconhecidos no mundo inteiro e com uma Cultura que tem chancela. A qual se distingue de outras igualmente identificáveis e com outros valores. A Europa é singular.

Para construir esta Unidade que é hoje a União Europeia, muito se tem ziguezagueado porque, a Unidade não pode eliminar a valia de cada Nação que a compõe. E este jogo de forças nem sempre é fácil.

2. Porém, há que reconhecer que para existir Europa, melhor dito, a União Europeia, é necessário que aquela Cultura que a tem identificado se mantenha e cultive em cada dia. A história das Civilizações tem mostrado como em determinadas épocas, certas circunstâncias põem fim a um modo de vida e a uma Cultura secular que parecia promissora.

3 – A Europa está a sofrer inúmeros desafios, cuja identificação importa fazer – o Estado Social decadente e insolvente, os migrantes, a baixa natalidade nativa, a destruturação social, a Família atacada, o desrespeito pelos mais fracos e vulneráveis (aborto/eutanásia), o individualismo que nega a fraternidade, os custos dos Estados e estruturas colectivas que asfixiam as famílias e as empresas com impostos pesados, a Escola apropriada por Ideologias  que conflituam com as famílias, corrupções incontroláveis e, por fim, uma imagem para o exterior que gera ódios e terrorismos de várias ordens.

Todos estes desafios podem, em larga medida, ser reportados à forma como os poderes Políticos tratam a Sociedade. Melhor, a forma como os poderes políticos cuidam das questões estruturantes (para alguns fracturantes) da Sociedade.

4. Iremos eleger quem nos representa num dos pólos mais relevantes da União Europeia – o Parlamento Europeu. Ali são tomadas decisões estruturantes para a Sociedade e Cultura Europeia. Nem sempre essas decisões são claras e respeitam o princípio de subsidiariedade. Muitas são as decisões em Directivas, Regulamentos, Resoluções e Pareceres das Comissões, etc., que embora não vinculem os Estados membros, constituem uma forma de pressão sobre aqueles em matérias ideologicamente identificadas. E também, sobre países externos à União Europeia que, têm acesso a certos programas de financiamento caso implementem políticas (aborto, esterilização, etc.) que são pré-definidos a partir daquelas ideologias.

5. O valor intrínseco e indisponível da Vida Humana, de cada vida humana e de todas as vidas humanas é o primeiro princípio que identifica a Europa.

O valor da Família enquanto elemento estruturante da Sociedade, não só como viveiro natural de uma sociedade, mas também como primeira escola, primeira integração social do indivíduo ou primeira organização solidária.

O valor da Liberdade, enquanto fonte de responsabilidade pessoal e colectiva. E, o valor da Paz. Entre outros valores estruturantes (diferentes de fracturantes) de uma Sociedade.

6. Podemos até pensar que o Parlamento Europeu pouca importância tem nestas questões estruturantes. Mas tal ideia é falsa. Quantos países têm sofrido sanções porque não aceitam a legalização do Aborto ou da Eutanásia?

Basta olhar para as inúmeras Resoluções e Programas que estabelecem condições de financiamentos, alheias às matérias próprias da União Europeia, mas que após aprovadas, são veiculadas para a opinião pública e são fonte de pressão sobre os Parlamentos Nacionais. Além de que, mudam a mentalidade dos Povos.

7. Por isso, neste tempo de decisão importa pensar em que modelo de sociedade queremos viver. Vivemos na Europa. Qual o futuro da Europa da Igualdade, da Liberdade e da Solidariedade? Será esta capaz de resistir às Ideologias que hoje se alegam para tomar o Poder em nome de minorias pseudo-libertárias e que em última instância são as algemas da Liberdade e da Igualdade? Como se posicionam os candidatos às eleições nas questões estruturantes da Sociedade, e da Europa?

8. O voto não é uma “carta em branco”, dada a um qualquer político. Exige-se o conhecimento sério do que se propõem os candidatos fazer, uma vez eleitos. É um direito e um dever de cidadania.

Por isso, a Federação Portuguesa pela Vida, no âmbito dos seus estatutos, publicou um quadro de referências dos Partidos candidatos às eleições, em matérias estruturantes da Sociedade. É evidente que a decisão de voto há-de ter também outros critérios de decisão. Mas estes, contam.

Esta é a hora da Soberania – a hora do Povo usar o seu Poder. A Democracia só existe se esse poder for exercido de facto, e com conhecimento de causa.

Advogada

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Ambiente

A onda verde na UE e os nacionalismos

Inês Pina
134

Se hoje reduzíssemos as emissões de CO2 a zero já não impedíamos a subida de dois graus centígrados. E estes “míseros” dois graus vão conduzir ao fim das calotas polares e à subida do nível do mar.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)