Rádio Observador

caderno de apontamentos

Empreendedorismo como visão cidadã /premium

Autor
  • José Carlos Sousa

Educar para o empreendedorismo é incentivar alunos a agirem sobre oportunidades, gerarem ideias e transformá-las em valor para os outros. Esse valor pode ser de cariz social, cultural ou financeiro.

O projeto Youth Start – Entrepreneurial Challenges foi um projeto-piloto europeu cofinanciado pelo programa Erasmus+ (2015-2018) e integrou parcerias estratégicas, através da colaboração entre os Ministérios da Educação de Portugal, Áustria, Luxemburgo e Eslovénia. Visava proporcionar aos alunos experiências empreendedoras práticas, reais e em contexto escolar, através da implementação de um programa de aprendizagem inovador.

A apresentação dos resultados finais do projeto ocorreu na passada terça-feira na Escola Secundária D. Dinis, em Lisboa, e ficou bem vincado o propósito do projeto. O aumento da motivação dos alunos esteve sempre presente procurando que aprendessem e melhorassem os seus resultados escolares, envolvendo-se nas atividades da escola, comprometendo-se em projetos e outras iniciativas, reforçando o sentido de pertença à comunidade educativa. Pretendeu-se, igualmente, ajudar os alunos no seu desenvolvimento pessoal, interpessoal e social, através de competências empreendedoras, entre outras, a proatividade, a reflexão crítica e construtiva e a assunção de riscos, que reforçassem o exercício de uma cidadania ativa, participada e responsável.

O programa de aprendizagem Youth Start – Entrepreneurial Challenges alicerçado no Modelo Tripartido de Educação para o Empreendedorismo, privilegia três dimensões: Educação para o Empreendedorismo – competências nucleares para o pensamento e a ação empreendedores, designadamente a capacidade de desenvolver e implementar ideias. Cultura de Empreendedorismo – competências pessoais em contexto social, traduzindo uma cultura de abertura de espírito, de empatia, de trabalho em equipa, de criatividade, de consciencialização e assunção dos riscos. Educação para a Cidadania Empreendedora – competências sociais e a capacitação dos estudantes enquanto cidadãos, ajudando-os, através do pensamento democrático e da autorreflexão, a expressarem as suas opiniões e a serem responsáveis por si, pelos outros e pelo ambiente.

Está desenhado para ser flexível na sua aplicação, permitindo aos professores das diferentes disciplinas mobilizar encarregados de educação, envolver entidades da comunidade consideradas pertinentes e implementar os desafios com os alunos em todos os níveis de ensino da escolaridade obrigatória. Os desafios, numa perspetiva holística e na sua totalidade, abrangem uma ampla gama de temas, atividades e situações experienciais de educação para o empreendedorismo com o objetivo partilhado de incentivar os alunos a estarem abertos a novas ideias e a implementarem as mesmas de forma criativa e com relevância.

De igual forma, a Direção-Geral da Educação (DGE) entende que educar para o empreendedorismo, nas suas vertentes económica e social, é incentivar os alunos a desenvolverem competências empreendedoras, a agirem sobre oportunidades, a gerarem ideias e a transformá-las em valor para os outros. Esse valor criado pode ser de cariz social, cultural ou financeiro.  As competências empreendedoras referem-se à criatividade, ao pensamento crítico, à resolução de problemas, à iniciativa, à perseverança, ao trabalho colaborativo, ao planeamento, à gestão de projetos.

O Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória preconiza que se capacitem os jovens com saberes e valores para a construção de uma sociedade mais justa, centrada na pessoa, na dignidade humana e na ação sobre o mundo enquanto bem comum a preservar, contribuindo com uma visão crítica para a ação construtiva e transformadora, no respeito pelos direitos humanos. Valores como a liberdade, a responsabilidade e integridade, a cidadania e participação, e a excelência e a exigência, assim como a curiosidade, reflexão e inovação têm de estrar sempre presentes. Da mesma forma, a Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania consagra que o empreendedorismo (nas suas vertentes económica e social) tenha aplicação opcional em qualquer ano de escolaridade e aponta-o como um dos domínios a ser trabalhado de forma integrada.

Educar para o empreendedorismo é igualmente cumprir princípios e desenvolver competências inscritos no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e na Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania. É capacitar para, entre outros, a gestão e concretização de projetos, com sentido de responsabilidade e autonomia, para a tomada de decisão fundamentada, a resolução de problemas, a mobilização de recursos diversificados, a previsão e avaliação do impacto das suas decisões. Procura desenvolver novas ideias e soluções, de forma imaginativa e inovadora, promove o trabalho em equipa a interação com os outros com tolerância, empatia e responsabilidade. Encara a negociação como fruto de um trabalho de cooperação e aceita diferentes pontos de vista, consolidando e aprofundando competências, manifestando consciência e responsabilidade ambiental e social, trabalhando colaborativamente para o bem comum, com vista à construção de um futuro sustentável.

Reconhece-se que, neste processo, a escola deve assumir um papel fundamental, junto de crianças e jovens. A diversidade de metodologias e de práticas pedagógicas na escola deve concorrer para que os alunos possam participar em experiências empreendedoras práticas, reais e de vivência da cidadania, em todos os ciclos e níveis de ensino, e que, numa perspetiva de aprendizagem ao longo da vida, se encoraje os alunos a estarem abertos a novas ideias e a implementarem estas de forma criativa, com relevância, fazendo escolhas criteriosas, informadas e responsáveis, promotoras de bem-estar no respeito por si próprios e pelas gerações futuras.

O Programa de aprendizagem Youth Start – Entrepreneurial Challenges concorreu assim para o desenvolvimento de competências do século XXI, na resposta aos desafios sociais e económicos com que nos confrontamos no mundo atual. Os alunos das escolas que a ele aderiram ficaram, certamente, com um maior conhecimento e uma diferente forma de olhar e agir, projetando-se numa cidadania em que se revejam, e se sintam, como elementos fulcrais de todo o seu processo de desenvolvimento.

Diretor de Serviços de Projetos Educativos na Direção-Geral da Educação

‘Caderno de Apontamentos’ é uma coluna que discute temas relacionados com a Educação, através de um autor convidado.

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