Não há dúvida que é o sucesso do momento. Os portugueses permanecem colados ao ecrã com a interminável série de episódios de endogamia no governo. Esta semana tivemos um novo capítulo, desta vez protagonizado por Fernando Medina. O presidente da Câmara Municipal de Lisboa chegou a ter a sua agora mulher como adjunta quando foi Secretário de Estado Adjunto da Indústria e do Desenvolvimento. A sua agora mulher que, por coincidência, é filha de um ex-ministro de José Sócrates. E que foi posteriormente para a TAP já Diogo Lacerda Machado – amigo de longa data de António Costa e ex-consultor do governo – era administrador não executivo. Enfim, é o mais recente episódio do Endogamy of Thrones que, à semelhança do que fizeram com a Guerra das Estrelas, tem esta prequela para percebermos melhor como chegámos até aqui. É verdade que o enredo é intrincado, mas é preciso conhecer bem as personagens para apreciar devidamente a falta de vergonha com que tudo isto é efectuado. Recomendo este seriado.

A verdade é que a semana não ficou marcada apenas pela endogamia. Houve outras edificantes confusões. Isto porque António Costa, a propósito de quem terá sido o verdadeiro criador da ideia, afirmou que o novo passe único para os transportes de Lisboa teve uma “paternidade coletiva”. É desagradável. Ainda agora o passe nasceu e já tem de ouvir que a mãe é um bocado galdéria. Como se não bastasse ter sido humilhado por Jerónimo de Sousa ao afirmar que “quando a esmola é grande o pobre desconfia”. “Esmola” e “Filho de senhora com profissão isenta de impostos”. Nunca um título de transporte foi tão vilipendiado num só dia. Mas atenção, Jerónimo de Sousa corrigiu a sua declaração. O líder do PCP explicou que neste caso “o pobre não deve desconfiar porque é verdade que vai haver esta redução dos preços dos passes”. Lá está. Confirma-se que o passe é mesmo uma esmola, mas é uma esmola com o selo de qualidade comunista. E se há modelo económico com provas dadas na distribuição de esmolas é o comunismo. Portanto, este bilhete é das melhores esmolas de todos os tempos.

Isto de andar de transportes públicos é muito giro, mas entretanto veio a público que o primeiro-ministro tem 11 motoristas. Onze. Sim, sim, aquele número logo a seguir ao 10. O que é constituído por dois algarismos “1”, exactamente. António Costa tem 1, 2, 3… 11 motoristas. Onze. O número de jogadores numa equipa de futebol, nem mais. Como é que isto funcionará? Bom, para já acredito que o primeiro-ministro tenha um motorista de prontidão 24 horas por dia. Não vá haver algum incêndio e ter de ir à pressa a meio da noite de férias para Espanha, ou assim. Portanto, admitindo que há sempre um motorista disponível, cada um trabalha 2 horas 10 minutos e 54 segundos por dia, será isso? E a duração deste turno é acertada ao centésimo de segundo, ou o erário público fica todos os dias a arder em 6 segundos de ordenado dos choferes? À atenção de Mário “Cativa Até Fazer Superavit” Centeno.

Mário Centeno que, por estes dias, afiançou que “o investimento não é como o ‘Anita vai às compras’, não vamos com o Pantufa, com um cesto, comprar investimento”. Pois não. Para os governos do PS o investimento é mais como a fábula d’ “O Pastor Mentiroso e o Lobo”. O governo grita que vem lá o investimento, fica tudo muito entusiasmado, mas depois nada. O governo volta a berrar que vem lá o investimento, as pessoas ainda espreitam e tal, mas afinal investimento nem vê-lo. Quando finalmente chega o investimento as pessoas já nem ligam. Abrem só os cordões à bolsa e lá pagam com os seus impostos os buracos deixados pelas parcerias da Caixa Geral de Depósitos em projectos estupendos.

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