O discurso, hoje em dia, passa sempre pelo respeito do outro. É o outro para cá, o outro para lá. O outro é a figura política do século XXI. No Entanto, este respeito pelo outro, pelos seus direitos, esconde uma atitude egoísta, defende o hedonismo e idolatra o relativismo.

Se o outro quer mudar de género, aos 16 anos, numa Conservatória – sem autorização dos Pais e sem relatório médico – que mude. É o outro e o outro tem esse direito.

Se o outro quer morrer e, não tendo coragem ou capacidade para se matar, então que o SNS o liquide. O outro quer morrer e o outro tem esse direito.

Se o outro não se sente bem na pele do sexo com que nasceu, o outro quer que existam casas de banho para ele. Então gaste-se o dinheiro, que não temos, para fazer estas casas de banho para o outro.

Se o outro está à espera de bebé, mas não quer ter esse filho, então o outro tem o direito de terminar com essa vida, sem ouvir o outro.

Se o outro quer engravidar sozinho, siga. Se quer adoptar sozinho, força. Se quer que a Avó faça a gestação do neto, força nisso. O outro quer e o outro pode.

E o outro tem o direito de entrar na faculdade, à frente de todos os outros, e de conseguir emprego, sem competir com os outros. O outro é assim.

Mas e o Nós?

Onde fica o Nós enquanto grupo, sociedade, país? Sujeito ao outro? Onde fica a devoção à Pátria, à Família, aos Amigos? Quando fui chamado para a tropa, pedi ao meu Pai que me safasse. A sua resposta foi que não, uma vez que todos nós temos uma dívida para com o país e, cumprir o serviço militar, é uma forma de pagar essa dívida. Alguém, hoje em dia, tem a ideia que deve ao país parte do seu tempo? Para a esquerda que nos governa, a cidadania resume-se ao pagamento dos impostos.

Enquanto nos mantivermos nesta deriva – absolutista – dos direitos individuais, em detrimento do país, não vamos longe. É certo que todos nós temos os nossos direitos e não se deve inferir das minhas palavras que se devem coarctar os mesmos. Nem que não deva existir respeito pelas necessidades e ambições do qualquer um de nós. O que temos de perceber é que existe algo acima do indivíduo e que, às vezes, não é possível termos o que queremos, e temos que ficar por aquilo que é possível. A atomização da sociedade leva a que todo e qualquer um seja o outro, e deixe de existir o Nós.

Ao discutir-se apenas a agenda dos direitos do outro, esquecemo-nos dos deveres que todos temos que ter, incluindo o outro.

A esquerda bloquista, e uma facção do PS, são os grandes defensores dos direitos do outro. Mas, com excepções. Pois se o direito que um outro queira adquirir, não esteja de acordo com a cartilha, então o outro já não tem esse direito. O outro é, portanto limitado pelas fronteiras que essa esquerda entende ter o direito de traçar. Ora, não tem. Se damos direitos absolutos ao outro, temos que os dar a todos que queiram ser o outro, gostemos ou não das suas reivindicações. Se continuarmos a ensinar as nossas crianças que têm todos os direitos e nenhuns deveres, não vamos lá.

Conselheiro Nacional do CDS-PP