Voto desde que fiz 18 anos.
Não me recordo de alguma vez ter deixado de votar.

Voltarei a votar no próximo fim-de-semana.
Porque quero ter voz, quero manifestar a minha opinião, quero através de uma simples cruzinha dizer o que penso dos diversos projetos apresentados e o que prefiro para o futuro de Portugal e de todos nós.

As próximas eleições têm, para mim, uma enorme novidade. Ou várias, na verdade.
Pela primeira vez, expresso publicamente a minha intenção de voto antes das eleições.
Pela primeira vez, apelo ao voto em determinado partido (antes, apelei muitas vezes ao voto, fosse em quem fosse, ponto).
Pela primeira vez, integro uma lista, em posição completamente não elegível, mas integro.

A minha consciência política manifestou-se desde cedo e algo contra a corrente dos tempos que corriam e do ambiente bastante politizado que me rodeava.
Adolescente, tive o primeiro envolvimento político com a então Juventude Centrista, do CDS. Costumo dizer que foi porque tinha as miúdas mais giras e organizava as melhores festas de Oeiras. E é verdade.
Isto, nos tempos da presidência do CDS de Francisco Lucas Pires, homem que conhecia pessoalmente de Coimbra e que continuo, ainda hoje, a admirar bastante.
Cheguei, aliás, a participar na gravação de um tempo de antena, em plena pista de atletismo do Estádio Nacional, em que “contracenei” com Lucas Pires, ele próprio.

A estes primórdios, seguiu-se passagem por Macau e algum alheamento da política nacional.
Quando regressei de Macau, em 1991, para ingressar na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, estávamos já na fase descendente do “cavaquismo” que – ainda assim – perduraria (ele, Cavaco Silva) como primeiro-ministro até Outubro de 1995.
Identifiquei-me logo como “opositor”, não me revia minimamente no homem de Boliqueime nem nas políticas por ele seguidas.

A minha consciência política de opositor foi alimentada a devorar o Independente de Paulo Portas e Miguel Esteves Cardoso, entre tantos outros, um jornal que estabeleceu uma ruptura cultural e geracional com o “establishment” de então.

Mas não conseguiria votar num CDS com Freitas do Amaral e depois com Manuel Monteiro, os líderes de então. Não me conseguia identificar com nenhum deles.

Votei então, anos e anos a fio, em alguém (mais do que num partido) que admiro muito e respeito profundamente. Gonçalo Ribeiro Telles. Primeiro, no PPM, depois, no Movimento Partido da Terra (estes dois partidos, hoje em dia, não me interessam minimamente). Sim, por várias razões votei em Gonçalo Ribeiro Telles, a máxima delas o discurso ecologista, de respeito pelo planeta, pelo interior, pelo desenvolvimento sustentável, mas sempre com o bem-estar das pessoas como preocupação central.

Com o desaparecimento de cena de Gonçalo Ribeiro Telles, fiquei algo órfão, sem saber em quem votar. Fui distribuindo o meu voto de acordo com as “inclinações” de cada momento. Nunca votei, de qualquer modo, nos partidos mais à esquerda, PCP e BE. Mas cheguei a votar “Livre”.

Pelo caminho, empenhei-me e participei ativamente na campanha pelo Não no referendo à regionalização.

Só para situar a coisa.

Sempre me pareceu que existe excesso de Estado em Portugal, um Estado que suga e sufoca os cidadãos e que, mais do que promover o livre desenvolvimento do País e das pessoas, é um obstáculo ou um empecilho a esse desenvolvimento.

Mas não se pense que isso é de agora. É de sempre.
Logo nas Descobertas, quando em Espanha, na Holanda ou em Inglaterra, a expansão e comércio marítimos eram desenvolvidos e explorados por companhias privadas (ou PPP’s, vá), em Portugal existia um monopólio da Coroa, do Estado, que se apropriava de boa parte da riqueza gerada, gastando-a em sumptuosidades improdutivas.
Assim continuou ao longo dos séculos e, na ditadura, o Estado corporativo ganhou ainda maior peso na vida económica e social do País.
Com a revolução de Abril e a socialização da maior parte das questões, o peso do Estado saltou para a estratosfera e tudo o que vem sendo feito desde então é apenas cosmética para uma realidade imutável: o peso do Estado na vida dos portugueses continua a ser brutal, suga as energias, o capital e a iniciativa.

Os portugueses precisam de mais liberdade. Liberdade de escolha, liberdade de acção.
A receita que, ao longo dos séculos, nos trouxe até aqui — o Estado no centro das nossas vidas — está esgotada.
Entendam que, ao contrário de muitos, não acho Portugal um “País falhado”, atrás e pior que outros países desenvolvidos.

Mas tenho a certeza de que podemos todos viver muito melhor e mais felizes.
Identifico-me, senão com todas, com a larguíssima maioria das propostas da Iniciativa Liberal.
Contínuo independente, não sou militante, não preenchi qualquer “ficha de inscrição”.

Em liberdade, voto na proposta que mais me parece defender essa mesma liberdade.
E convido-vos a fazer o mesmo.
Chega de mais do mesmo.
Vamos pôr um deputado da Iniciativa Liberal na Assembleia da República.