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Eu acho que, “bem lá no fundo”, todos queremos mudar. Algumas coisas. Pelo menos. Porque todos, “bem lá no fundo”, temos noção de inúmeros pequenos-nada que se intrometeram na nossa vida. E a atrapalham. E se “enovelam”; uns nos outros. E a fazem ser “mais do mesmo”. Todos os dias.

Eu acho que, só depois de desabarem sobre os sonhos que não ousámos nem sequer eleger, percebemos, bem lá no fundo”, queescolher é renunciar. A não ter tudo. E que – à custa das escolhas prematuras que fizemos (ou daquelas que esperámos que a vida, atenciosamente, nos trouxesse) – quando, finalmente, nos sentimos habilitados para o fazer, cedo se tornou “tarde” para escolher. “Do princípio”. E que, à conta disso, sentimos que não temos a vida que queríamos. Nem as pessoas que, “clandestinamente”, desejámos. Nem a coragem para admitir “as nossas culpas” em tudo isso. Tal é o ror de vezes que, à luz dos nossos olhos, nos sentimos muitíssimo mais “vítimas” que co-responsáveis (ou, até, culpados) pelas escolhas que nos condicionam. E não nos “deixam” escolher.

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