É uma acusação batida, além de injusta para muitos dos nossos parlamentares, eu sei. Mas não tinha espaço no título para o resto da frase. E aí sim há novidade. A novidade é que estes deputados andam a dormir, e é em unidades hoteleiras propriedade de outros deputados! Numa visita a Castelo Branco os deputados da Comissão de Ambiente ficaram alojados num hotel propriedade da deputada-estalajadeira do PS, Hortense Martins. O secretário-geral do Parlamento alegou que a Assembleia da República “escolheu o hotel mais barato” após lhe terem sido apresentadas duas hipóteses pela agência de viagens (que muito provavelmente é pertença de um deputado, só não sabemos ainda qual) que trabalha com São Bento. O que é verdade. Eu próprio fiz a pesquisa de hotéis em Castelo Branco e o hotel da deputada-estalajadeira aparece mesmo como o mais económico. Quer dizer, fazendo a pesquisa apenas por preço aparecem outros alojamentos mais acessíveis, mas quando se adiciona o filtro “Tipo de Propriedade: Propriedade de uma deputada” o hotel de Hortense Martins aparece sempre como o mais barato. Digamos que é a versão Parlamentar do Hotel Califórnia: o Hotel Parcimónia. E tal como no da música dos Eagles, neste hotel também podemos fazer check-out, mas a ideia que dá é que nunca mais na vida nos livramos deste tipo de trafulhices.

Numa semana marcada pela falta de transparência no alojamento dos deputados, foi também notícia a falta de limpeza de outro hóspede, neste caso Julian Assange. O fundador da WikiLeaks foi expulso da embaixada do Equador em Londres por — entre outras coisas ligeiramente menos nojentíssimas — ter o hábito de espalhar fezes pelas paredes e passar semanas sem tomar banho. E ainda assim só correram com ele ao fim de sete anos. Aparentemente, expulsar um hóspede porcalhão da embaixada do Equador é quase tão difícil como expulsar um inquilino porcalhão de um apartamento em Portugal. Além disso, o Presidente do Equador acusa Assange de usar a embaixada como centro de espionagem. Já isto não faz qualquer sentido. Onde é que se viu um espião que tresanda? Era detectado num instante porque o inimigo chegava lá só pelo cheiro. A não ser que o espião estivesse undercover numa missão em Estarreja, claro. Aí o disfarce seria perfeito.

A propósito de Reino Unido e expulsões, nos últimos dias também houve novidades quanto ao Brexit. Nomeadamente que não há qualquer novidade quanto ao Brexit. O que, como é óbvio, não constitui novidade alguma. Agora, se há europeus em condições de perceber este sai-não-sai britânico são os portugueses. Por cá também já assistimos a isto. Só que em vez de um Brexit temos um PCPexit. Quando o PSD e o CDS estavam no governo o PCP gritava que tínhamos de romper com a União Europeia. Desde que António Costa inventou a geringonça o PCP já acha muito giro estarmos na Europa. É evidente que no dia em que a direita voltar ao governo cá estará o PCP para lembrar que é urgentíssimo sairmos da União Europeia. Enfim, concorde-se ou não com os comunistas uma coisa que temos de admirar é a sua coerência. Principalmente porque é uma coerência que dá muito mais trabalho que a normal coerência. É uma refinada mistura de coerência e hipocrisia que resulta numa muito impressionante coerência na incoerência.

E já que falamos de comunistas, José Eduardo dos Santos gerou polémica em Angola ao optar pela TAP para viajar para Madrid para uma consulta médica. O Presidente João Lourenço ainda o tentou convencer a viajar antes na TAAG, mas em vão. Há quem diga que estamos perante uma crise diplomática, mas eu acho exactamente o contrário. Se o Presidente angolano leu a notícia da Bloomberg segundo a qual a TAP, em 2018, foi a companhia aérea mais atrasada do mundo, é natural que tenha receado que o seu antecessor chegasse atrasado à consulta. Da próxima vez, e se quer viajar na TAP, nada como José Eduardo dos Santos marcar consulta em Portugal: mais atrasadas que as chegadas dos voos da TAP só mesmo as consultas nos hospitais portugueses.