Comecemos pelo óbvio. Eu vou ao psicólogo. Eu vou ao psicólogo há três anos, todas as semanas. Vamos deixar esta frase pairar no ar, a vergonha que a envolve é grande e precisa de espaço para se tornar mais leve. Eu… Vou… Respirar fundo, um inspirar daqueles que vem mesmo lá do fundo, dos confins que nem sabiam que existiam. Como é que isto aconteceu? Porque é que eu estou em terapia há três anos? Em tempo de psicólogo, isto é o equivalente a uma década, 10 longos, longos anos. Longoooos…. Ahhhh, estou cansada só de o dizer.

Decidi ir a um psicólogo em 2017. No ano anterior, tinha chegado a uma conclusão marcante – não tinha qualquer interesse no curso que tinha tirado: Direito. E, depois dessa conclusão brilhante, vinha o pensamento: “E agora? E agora o qu’é qu’eu faço à minha vida?!” Estive um ano à deriva, a tentar perceber para onde queria ir. Comecei a fazer mudanças pequenas, quase invisíveis, que me estavam a levar por um caminho entusiasmante, porém, não havia resultados à vista. Sentia-me a afundar. O peso da mudança era enorme e eu tinha muita dificuldade em perceber o passo seguinte. Foi assim que acabei num consultório. Com uma pessoa que eu nunca tinha visto na vida. A contar, entenda-se, a chorar desalmadamente, pormenores da minha vida que nunca tinha contado a ninguém.

A fase do choro passa e entramos numa nova: “Uh, que bom, agora estou bem, já não estou sempre a chorar.” Para mim, é aqui que começa verdadeiramente o trabalho da terapia, tudo o resto são preliminares. Neste admirável mundo novo, vamos observar com atenção o emaranhado até chegar ao fundo da questão, até que estejamos muito confortáveis com o nosso desconforto. Juntos, nós e o psicólogo. Neste momento, é esta a fase que estou a percorrer.

Porque é que continuei a ir? Para quem já foi, sabe que há uma altura em que nos perguntamos: “Será que isto está a dar resultado? Vale a pena ir?” Perguntas pertinentes de quem questiona sensatamente as suas escolhas. Atualmente, a minha resposta é “SIM!”, um “sim” poderoso com direito a emojis sorridentes e, só naquela, mais uns quantos pontos de exclamação. Porquê? Porque ir ao psicólogo mudou radicalmente a minha vida. Mesmo. Estou de bem comigo e com os outros, confiante em mim e nas escolhas que faço. Todas as dificuldades e indecisões ainda estão lá, mas agora consigo lidar com elas. Sei para onde vou e como quero lá chegar. E isso, só isso, é incrivelmente valioso.

Eu ainda estou a ir ao psicólogo. Este não é um daqueles momentos de “vejam o que eu fiz, eu sou tão fixe”. Ainda não. Estou a trabalhar afincadamente para encontrar o meu equilíbrio. Eu vou ao psicólogo, sim. E vou continuar a ir (mas não é para sempre).