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Para além dos efeitos da pandemia na economia, estes têm-se sentido também com gravidade em vários aspetos dos cuidados de saúde, incluindo no que diz respeito aos doentes com Acidente Vascular Cerebral (AVC). A repercussão dos atrasos no tratamento desta patologia existe a vários níveis, incluindo a atenção na chamada fase hiperaguda, no diagnóstico hospitalar, na avaliação etiológica e na identificação de fatores causais para a prevenção de novos AVCs, bem como na prevenção primária, com a correção de fatores de risco de forma a evitar um primeiro episódio, sejam eles os níveis de pressão arterial elevados, o colesterol elevado, o facto de ser fumador, ou ter excesso de peso, entre outros.

Estes aspetos são muito importantes na redução do surgimento de um possível AVC e das suas consequências quando surgem. Igualmente, também em todos estes aspetos, o receio de recorrer a cuidados médicos adequados ou, por outro lado, o ajuste da sua resposta por gestão de necessidades ligadas à doença “Covid”, compromete os bons resultados que se têm conseguido nestas áreas.

Nas primeiras horas de um AVC, é de extrema importância que este seja reconhecido e que se ativem os meios de emergência médica com a chamada Via Verde. É igualmente importante que seja feito um diagnóstico numa estrutura com capacidade de resposta para tratamento de fase aguda, se estiverem indicados, com terapêuticas por via endovenosa ou intervenção intravascular, as quais demonstraram a sua eficácia em reduzir os défices neurológicos.

Vários centros médicos e registos regionais ou nacionais, a nível mundial, referem a diminuição de cuidados nesta fase, comparando dados de meses semelhantes antes e durante os períodos de agravamento dos números da pandemia e confinamento mais intenso. A título de exemplo, foram publicados aumentos significativos do tempo de demora entre o início de sintomas e a chegada ao serviço de urgência ou atendimento permanente, do tempo entre a admissão no hospital e a realização de exames urgentes como a TAC de crânio e a redução de casos que chegam ao hospital dentro da janela temporal para tratamento dirigido (4:30 horas).

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Outros centros reportaram a redução do número de diagnósticos de acidente isquémico transitório (AIT) e de AVCs de menor gravidade e, em certas áreas da China, no pico da pandemia e da restrição de movimentos, registou-se mesmo uma redução de até 40% no número global de internamentos por AVC.

Estes números refletem, em grande parte, a relutância da população em recorrer a cuidados hospitalares.  Neste contexto, não podia deixar de apelar a que os doentes que suspeitam de AVC não tenham qualquer receio de recorrer às unidades prestadoras de cuidados de saúde – estas têm instituídos circuitos e protocolos que promovem a segurança de todos.

Igualmente, já no período após o internamento, é essencial manter um acompanhamento médico regular, em consulta ou teleconsulta, para que a prevenção de novos eventos possa ser eficaz. Consulte o seu médico antes que seja tarde demais.