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Fundraising: um financiamento universitário a considerar /premium

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As universidades americanas e inglesas são, de longe, as que mais recebem por via da filantropia. No geral, mais de 30% do funding conseguido pelas universidades de topo para research vem dessa fonte.

O movimento pioneiro da NOVA SBE em termos de fundraising universitário em Portugal é um movimento sem retorno. Iniciado de forma sólida e com um objetivo claro, que se consubstanciou num novo edifício com características únicas para o ensino, permite antever a abertura de um novo capítulo de financiamento em que quem não está, ou consiga estar, poderá sofrer pela desigualdade de condições de base. Claro está que o pioneirismo tem inúmeras vantagens mas as escolas e universidades terão, cada vez mais, a necessidade de trabalharem com as suas comunidades naturais e empresas, indivíduos e entidades aderentes. Esta forma de financiamento, seja para edifícios, seja para programas, seja para inovação, investigação e ensino, entre outros, tem um caminho nada despiciendo pela frente.

Há algumas leituras a partir do que se tem feito globalmente e que convém trazer para aqui.

Interessante, por exemplo, é constatar que de todas as entidades que se criaram há cinco séculos atrás persistem no mundo ocidental apenas 85. Dessas 85, 70 são universidades. Este número tem muito a ver com filantropia e com a forma como as universidades e escolas excederam claramente o que os governos pagam por elas.

Numa altura em que as propinas foram (ou são) tema de debate, com prós e contras, há um outro capítulo não menos importante e que é o financiamento filantrópico que, muitas vezes, anda esquecido e mal esquecido.

Se formos ver universidades de prestígio com atenção constatamos que têm nomes que derivam dos seus criadores: Stanford, Carnegie and Mellon, Duke, Drexel, Rensselaer ou Rockfeeller (criador da universidade de Chicago bem como da Rockfeller University).

A maioria das universidades alemãs beneficiou de doadores individuais no século XIX.

As fundações, em paralelo, tiveram um tremendo impacto na investigação. Por cá podemos ver, pelo menos, a fundação Champalimaud e a fundação Gulbenkien como dois expoentes interessantes do desenvolvimento da ciência e das artes.

Paralelamente, as fundações americanas estão a ter um impacto tremendo na forma como se estrutura o tecido universitário chinês e africano.

A Universidade de Harvard recebe por dia 3 milhões de dólares.

Oxford e Cambridge conduziram campanhas que levaram a 1 bilião (americano) de libras.

Stanford acumula doações de cerca de 20 biliões (americanos) sendo que apenas em 2015 recebeu mais de 100 milhões de dólares.

As universidades americanas e inglesas são, de longe, as que mais recebem por via da filantropia.

No geral, mais de 30% do funding conseguido pelas universidades de topo para research vem precisamente da filantropia.

Ora a filantropia é uma forma apenas inteligente de captar recursos para desenvolver a universidade e suas escolas e, concomitantemente, o país.

Não há, pois, como negá-lo ou escamoteá-lo ou deixar de lado os esforços que são necessários fazer para que as universidades captem verbas por esta via. Há cuidados a ter e houve casos, no passado, de ligações pouco felizes (perigosas, mesmo) entre universidades e doadores. Mantidos alguns princípios de equidistância, não ingerência e autonomia, entre vários, é apenas saudável procurar verbas por esta via.

Neste momento da vida das universidades e escolas portuguesas há algumas coisas conseguidas: um conjunto de anos de mercado, na sua maioria, já bastante interessante e, bem assim, uma diáspora nada despicienda. A par com um posicionamento de mercado e áreas core em que as universidades e escolas têm vindo a apostar, a verdade é que não se pode, e não deve, ignorar o financiamento filantrópico.

Porém… Portugal não está habituado e não doa. Mentira porque a NOVA SBE conseguiu-o.

Portugal não tem redes de alumni, de indivíduos (nacionais ou externos) e de empresas capazes de vestirem a camisola das suas escolas – ou das suas apostas – procurando, conjuntamente, levá-las mais longe e a voar mais alto. Mentira porque temos bons casos de trabalho de alumni e de empenhamento desses alumni, para só referir uma parte da equação. A NOVA SBE e, por exemplo, a Católica, neste aspeto particular, são bons casos de trabalho de alumni.

O cidadão português não tem orgulho nas suas escolas e universidades pelo que não doa. Mentira. Apresente-se um projeto bem estruturado e uma campanha bem pensada e os alumni serão os primeiros a aparecer e a querer ver a sua escola crescer e progredir. Perpetuar-se como se perpetuam as grandes instituições que atravessam séculos, moldam sociedades e pensamento, alavancam inovação e procuram diferenciais competitivos.

All in all, ninguém fica indiferente à sua escola de origem. Ninguém fica indiferente ao local onde estudou. Por mais problemas e obstáculos que existam, por mais divisionismos e entrincheiramentos internos que se criem, pensar fora e para fora e trazer a sociedade a participar é um caminho, não único, mas um caminho fortemente recomendável. Possível. Desejável. Não o fazer, com as suas próprias idiossincrasias, é não querer ver a sua escola como escola projetada no futuro. E no futuro, para as gerações vindouras, interessa pouco o que fez a pessoa A ou a pessoa B. Interessa que a escola permanece e se perpetua para além da espuma dos dias.

Bom foi o caminho iniciado pela NOVA SBE. Muito bom. Mas muito se vai seguir. Caso não siga, andaremos certamente distraídos e a pensar mais em agendas individuais que em deixar obra que se perpetue para lá do imediatismo e circunstância de cada qual.

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