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Em extinção talvez seja exagero. Mas muitíssimo ameaçados de extinção, certamente. Parece que está cada vez mais difícil trabalhar com gente que simplesmente trabalhe bem. Não deveria ser assim tão difícil. Alguns são razoáveis, outros deixam um pouco a desejar, milhares são um horror. O que será que acontece?

Falta gente que entrega as coisas no prazo. Gente que oferece ajuda. Gente que diz que vai e vai. Que diz que faz e faz. Que diz que dá um jeito. Que reconhece quando erra, pede desculpas e melhora na próxima. Gente comprometida. Que chega no horário. Que dá o seu melhor em tudo o que faz.

Li outro dia que o difícil não é matar um leão por dia. O difícil é desviar das antas. Talvez seja verdade. Não adianta fazermos tudo certinho, darmos o máximo que podemos e levarmos as coisas a sério se a cada esquina nos deparamos com alguém que não faz o mesmo. Quantas vezes o nosso trabalho é inviabilizado por alguém que simplesmente não fez o que deveria ter feito?

Não sei se o problema é de educação, de formação, de geração ou se é simplesmente egoísmo. Em qualquer trabalho é possível fazer as coisas com excelência, seja na limpeza do chão ou na presidência. Tem gente boa fazendo as duas coisas, mas tem muita gente ruim fazendo as duas coisas.

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Acho que trata-se mesmo de uma escolha: fazer as coisas bem ou fazer as coisas de qualquer jeito. Há quem arrume uma cama com excelência e há quem construa um edifício com negligência. Só que os negligentes parecem se multiplicar, enquanto os dedicados vão virando jóias raras.

Uma professora minha dizia que vivemos na era do pacto da mediocridade. Um estranho cenário no qual basta não ser medíocre para já sermos tidos como acima da média. Porque a média é bizarra. Fazer as coisas direito virou mérito e fazer as coisas de qualquer jeito virou a regra.

Não me parece que seja pedir muito. Fazer as coisas como elas devem ser feitas. Avisar caso haja algum imprevisto. Escrever e-mails com “bom dia”, “boa tarde”, “por gentileza”, “atenciosamente” e “muito obrigada”. Falta gente que faça o mínimo que se pode esperar. E sobra gente que, mesmo sem fazer o mínimo, vive convicto de que é um bom profissional e que merece reconhecimento, promoções, elogios. Que fique claro: não é. Que fique claro: não merece. Não deveria ser algo assim tão complexo.