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É inevitável que, no seguimento da reportagem do Público sobre o mau estado dos museus nacionais, chovam críticas à Ministra da Cultura por, em vez de estar a resolver problemas graves e urgentes do sector, empenhar-se em ameaçar uma estilista americana por causa da camisola poveira. Há quem vá dizer que Graça Fonseca se borrifa na colecção do Museu Nacional de Arte Antiga para se preocupar antes com a colecção Outono/Inverno da Tory Burch. Ou quem, rebuscada e acintosamente, considere que é normal que a estilista tenha confundido uma camisola portuguesa com uma mexicana, já que os nossos museus começam a parecer ruínas aztecas. Uma crítica que não faz muito sentido, enfim. Mas já se sabe que, quando querem dizer mal, as pessoas pegam em qualquer coisa.

Como disse, a crítica é inevitável. Mas é, também, injusta. Ao emitir um comunicado em que ameaça a designer com o tribunal, Graça Fonseca não está apenas a mandar um mail e a publicitá-lo nas redes sociais para fingir que se esforça na protecção do património cultural português enquanto os museus caem aos bocados. Nada disso. Graça Fonseca está, com essa acção, a promover, ela própria, uma tradição muito nossa, que importa preservar. Trata-se do costume profissional, tão português, que consiste em efectuar uma pequena tarefa que não custa nada, mas que gera máxima publicidade, em vez de se dedicar a trabalhos imprescindíveis, porém laboriosos e sem resultados instantâneos que se divulguem imediatamente. Apregoar nas redes sociais com grande aparato, mas efeito nulo? Sim, senhor! Resolver problemas reais, dos que afectam pessoas? Não mace, senhor!

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