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Vladimir Putin

Guerra fria nas eleições presidenciais na Rússia

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Mas o pior está para vir. Há algum tempo atrás, a Rússia foi colocada, ao lado do Irão e da Coreia do Norte, como ameaça aos Estados Unidos. Em Fevereiro, espera-se uma nova onda de sanções.

A campanha eleitoral para as presidenciais na Rússia não promete levantar dúvidas quanto ao candidato vencedor, mas pode transformar-se em mais um campo de batalha entre Washington e Moscovo. Os norte-americanos preparam-se para estragar a vitória de Vladimir Putin.

Por enquanto, tudo corre segundo o previsto pelo Kremlin. Nenhum dos candidatos ao cargo de Presidente da Rússia tem capacidade de travar Vladimir Putin.

Alexei Navalni, o único concorrente que talvez conseguisse trazer alguma combatividade à campanha eleitoral, foi afastado da corrida pelos tribunais russos. Ele prometeu recorrer da sentença no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem mas, mesmo se a decisão chegar a tempo, nada fará mudar os planos de Putin, ou seja, manter-se no poder pelo menos até 2024.

Pavel Grudinin, o capitalista e milionário em que os comunistas russos apostaram para participar na corrida eleitoral, irá tentar cumprir o papel que estava até agora reservado a Guennadi Ziuganov, dirigente do Partido Comunista da Federação da Rússia, que é ficar em segundo lugar no escrutínio e legitimar a eleição de Putin.

As organizações de defesa dos direitos humanos e alguns órgãos de informação chamam a atenção para o facto de, nalgumas regiões da Rússia, os cidadãos serem coagidos a dar a sua assinatura de apoio a Putin (como o actual Presidente russo achou melhor não ser candidato de alguma força política, para sublinhar a sua independência, ele necessita de angariar 300 mil assinaturas, mas ninguém dúvida que esse número será em muito ultrapassado), as estações públicas de rádio e televisão não param de sublinhar os feitos do líder, quase se esquecendo dos restantes candidatos, mas a Comissão Eleitoral Central da Rússia considera que tudo está a correr dentro da normalidade.

É importante recordar que as eleições presidenciais foram antecipadas do Outono para 18 de Março para que o escrutínio coincida com o 4º aniversário da ocupação da Crimeia pelas tropas russas, mais um motivo para atiçar os “ânimos patrióticos” dos eleitores.

Mas Washington parece mesmo interessado em estragar a festa a Vladimir Putin. A 11 de Janeiro de 2018, a Secretaria de Estado norte-americana aconselhou os cidadãos dos Estados Unidos a não visitarem a Rússia, explicando essa decisão com “os riscos de atentados terroristas e de agressões por parte dos habitantes locais, dos funcionários públicos e órgãos de segurança”.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia reagiu imediatamente, sublinhando que isso é feito porque “se os cidadãos dos EUA vierem em massa à Rússia, poderão ver com seus próprios olhos que não encontram nem encontrarão aquilo com que as autoridades americanas ameaçam”.

Mas o pior está para vir. Há algum tempo atrás, a Rússia foi colocada, ao lado do Irão e da Coreia do Norte, como ameaça aos Estados Unidos. Em Fevereiro, espera-se uma nova onda de sanções, desta vez contra os círculos mais próximos de Putin. As autoridades americanas ameaçam publicar uma longa lista de cidadãos e empresas russos envolvidos em “enriquecimento ilícito”, “branqueamento de capitais” e noutros crimes.

Esta ameaça está a criar um clima nervoso entre políticos e homens de negócios russos. Por exemplo,a fim de evitar sanções, o banco russo Alfa-bank já veio anunciar que não tem o complexo militar-industrial do país como um dos seus clientes.

Dificilmente esta “guerra fria” irá impedir a reeleição de Vladimir Putin, mas poderá criar-lhe problemas internos e externos no seu novo mandato.

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