O maior trunfo da Europa são as suas pessoas. Investir nelas e nas suas competências é investir na sustentabilidade e na capacidade de inovação da Europa, especialmente nestes tempos difíceis. E vale a pena: um euro investido em ações de melhoria de competências e requalificação dos trabalhadores gera um retorno de, pelo menos, dois euros em receitas ou poupanças. Todos, jovens e idosos, devem ter acesso à formação para adquirirem competências para empregos que lhes permitam prosperar numa economia cada vez mais ecológica e digital.

Esta questão é urgente. Atualmente, mais de metade dos adultos não possui competências digitais básicas e poucos adultos frequentam ações de formação para melhorar as suas competências ou aprender novas. Esta situação tem de mudar, já que nove em cada dez empregos exigem competências digitais. Precisamos que mais jovens, especialmente raparigas e mulheres, se inscrevam em cursos nos domínios da ciência, da tecnologia, da engenharia e da matemática. De um modo mais geral, existe uma necessidade premente de formar adultos com as competências digitais necessárias, uma vez que centenas de milhares de ofertas de emprego ficam por preencher devido à falta das competências adequadas.

Para cumprir a visão da Comissão Europeia apresentada na nova Agenda de Competências, todas as partes interessadas têm de unir forças para intensificar a cooperação.

A Agenda de Competências estabelece metas ambiciosas para a melhoria de competências e a requalificação profissional nos próximos cinco anos. As suas 12 ações centram-se nas competências para o emprego e para a vida através de parcerias com os Estados-membros, as empresas e os parceiros sociais, e tirando partido de todas as oportunidades de financiamento possíveis. Várias iniciativas oferecem oportunidades interessantes para tornar o ensino e a aprendizagem ao longo da vida uma realidade para todos.

O Pacto Europeu para as Competências irá mobilizar os parceiros do ensino e da formação, bem como as empresas, para oferecer mais e melhores oportunidades e desbloquear investimento para a requalificação, especialmente em setores estratégicos como a saúde, a construção, a indústria automóvel e os transportes, sem esquecer o turismo. O Pacto irá facilitar as parcerias público-privadas em grande escala, colocando a tónica nos ecossistemas industriais que são cruciais para a recuperação da nossa economia e que apoiam as transições ecológica e digital.

A Comissão está igualmente a trabalhar com os Estados-membros da UE no sentido de tornar o ensino e a formação profissionais — que estão já a preparar metade dos jovens para os seus primeiros empregos — mais modernos, atrativos, flexíveis e adequados à era digital. No que diz respeito aos jovens, os estágios (programas de aprendizagem), em particular, podem funcionar como um trampolim para o emprego, podendo igualmente constituir uma reserva de talentos altamente qualificados para as empresas. Temos de fazer todos os esforços para manter a disponibilidade de estágios, apesar das circunstâncias atuais. Os aprendizes que hoje formamos serão trabalhadores altamente qualificados dentro de alguns anos. Os novos centros de excelência profissional na Europa apoiarão as pessoas, em especial os jovens, na formação inicial, na melhoria de competências e na requalificação profissional. Ao mesmo tempo, 27 % do orçamento do programa Erasmus+ é consagrado à mobilidade para a formação profissional e o empreendedorismo.

Uma iniciativa emblemática para as universidades europeias irá criar redes entre o meio académico e as empresas, a fim de proporcionar formação especializada e potenciar os cidadãos europeus para cooperarem para além das línguas, das fronteiras e das disciplinas. Quarenta e uma alianças, envolvendo 280 universidades dos 27 Estados-Membros e mais além, irão reunir conhecimentos e recursos, desenvolver programas interdisciplinares centrados nas competências e promover a investigação e a inovação com o apoio de 287 milhões de EUR dos programas Erasmus+ e Horizonte Europa (2021-2027).

Para apoiar a aprendizagem ao longo da vida, iremos analisar se e como as contas de formação individuais podem dar poder às pessoas para procurarem e participarem ativamente em ações de melhoria das competências e requalificação profissional, à semelhança do que já acontece em alguns Estados-membros. De igual modo, os cursos mais curtos e mais específicos estão a tornar-se cada vez mais generalizados e convenientes num mercado de trabalho em rápida evolução. Há que reconhecer estas novas competências. Iremos criar normas europeias sobre a qualidade e a transparência das chamadas “microcredenciais” para garantir que o que é reconhecido num Estado-membro é compreendido e reconhecido noutro.

Estimamos que, por ano, sejam necessários 48 mil milhões de euros adicionais de financiamento público e privado na UE para que seja feito um investimento adequado nas competências da nossa população. Garantir recursos adequados requer um empenho e um apoio políticos permanentes. A base de competências da Europa é uma importante força motriz da nossa competitividade e está em vias de criar uma sociedade inclusiva e sustentável. Unindo forças, podemos ajudar os cidadãos europeus a emergir da atual crise mais fortes e mais bem equipados para enfrentar os desafios futuros.