A quantidade aparvalhada (e desesperada) de “tweets” de Isabel dos Santos durante este Domingo, lembrando qualquer adolescente apaixonado que usa as redes sociais para mostrar o desgosto do amor não correspondido da miúda mais gira do Secundário, reflecte a forma de como a empresária — que fizeram dela aquilo que, de facto, não é nem nunca foi — vive um momento delicado criado por ela, pelo pervertido pai, por todo um sistema judicial angolano bastante fraudulento e, não esquecer, por uma comunidade internacional cega de princípios no que toca à realidade de um país que é dos mais corruptos de África, não alheio estão vários governos da República Constitucional Portuguesa, que taparam, durante infinitos anos, o “sol com a peneira” de uma realidade entristecida pela História, que a História jamais poderá apagar.

Isabel dos Santos, que ostenta um apelido que envergonha esta classe divinal, herdou a o cariz atroz e a sagacidade do pai. Desvia dezenas de milhões de euros (ou dólares) e fá-lo considerando-o normal, com a frieza da prudência, sem remorso algum: toda a vida dela foi assim. Não sabe nem procura fazê-lo de outra forma. A imunidade que privilegia o pai, um vilão ortodoxo que sempre viveu como um real nababo, à custa do bravo e genuíno, sem filtros, povo angolano, passou para a filha, que, a seu belo prazer, tomando-o, de forma, leviana como sendo a coisa mais normal do mundo, goza de desvios e mais desvios de quantidades exorbitantes de verbas que, a priori, deveriam ser usados para colmatar as necessidades mais básicas de um povo já por si sofredor de anos e anos de guerras e batalhas estúpidas e ridículas, à imagem da Isabel tudo menos dos Santos.

A empresária (ou “empresária”) brinca com os jornalistas, maltrata muita da gente que procura abrir os olhos aos “bons samaritanos burgueses e colonialistas” e que, à descarada, “saboreia” a miséria do povo angolano. Não sou tão optimista quanto a Ana Gomes, que tem esperança na prisão de Isabel dos Santos, mas acredito que Angola sobreviverá a um famigerado conjunto de coisas anómalas que não a deixam viver como um país. Entretanto, continuemos a deliciar-nos com os “tweets” que a “puberdade atroz” provoca em Isabel tudo menos dos Santos.