Se alguém achava que António Costa ia ser castigado pela confrontação no Terreio do Paço, enganou-se. Não só povo português borrifou no facto do seu Primeiro-Ministro prometer porrada a um velhinho, como também borrifou no facto do seu Primeiro-Ministro não cumprir a promessa de dar porrada a um velhinho. O povo português aprecia um bom delinquente que falta ao prometido.

Eu próprio simpatizei com António Costa. Também já estive numa situação parecida, em que me irritei com uma pessoa que se enganou na data das minhas férias. Tudo bem que era o agente de viagens e eu estava no check in do aeroporto, mas a fúria foi a mesma. Só não bati no tipo porque não sou uma pessoa violenta e ele não era mais pequeno do que eu.

Não há desculpa para a acusação que o idoso fez a António Costa. A idade não justifica tudo. Não é preciso ter grande memória para saber que António Costa não foi de férias durante o incêndio de Pedrógão Grande. Qualquer pessoa minimamente informada sabe que ele não se ausentou do país, ficou cá a organizar o focus group convocado para perguntar aos portugueses como avaliavam o trabalho do Governo durante o incêndio de Pedrógão Grande. Conhecendo o faro político do nosso PM e o grande profissionalismo da sua equipa, aposto que uma das perguntas do focus group foi, justamente, “o que acham se, um dia, António Costa tentar chegar a roupa ao pêlo a um velhote?” Costa nunca teria avançado para o idoso se não estivesse respaldado nas conclusões de um competente estudo de mercado.

Ou seja, só por má vontade é que o velhinho disse que António Costa estava de férias. Costa não saiu do país durante os incêndios de Julho, uma calamidade que correu ainda pior por causa das mudanças na Protecção Civil que Costa patrocinou uns meses antes. Isso seria horrível. Não, Costa saiu do país uns dias depois, quando o os portugueses ainda não sabiam como lidar com os incêndios de Julho, uma calamidade que correu ainda pior por causa das mudanças na Protecção Civil que Costa patrocinou uns meses antes. Completamente diferente. Uma coisa é tirar férias no meio de uma situação que ainda não se sabe se é trágica ou apenas muito má. Outra, muito menos grave, é tirar férias depois de uma situação que se sabe ser trágica. Foi o que o Primeiro-Ministro fez. Certificou-se que o país estava mesmo na fossa e só então é que se sentiu legitimado em ir relaxar para a praia. Laurear a pevide enquanto se tem dúvidas é que não.

Mais: o assalto a Tancos tinha acabado de ocorrer e é perfeitamente possível que António Costa tenha ido para Espanha porque, na altura, dizia-se que era para lá que o material de guerra teria sido enviado. Foi em missão secreta.

Portanto, o idoso esteve mal. A sorte dele é que a segurança socialista é mais eficiente que a Segurança Social. Se não tivessem parado António Costa, o velhote ainda levava para contar. Para a próxima, já sabe: Costa não estava a gozar férias, Costa estava era a gozar com o país.