As comemorações do centenário de Nelson Mandela, que decorreram ao longo do ano, tiveram um pico mediático por volta do dia de nascimento, e terminaram em 5 de Dezembro, 5 anos depois do dia da morte. A efeméride, assinalada na África do Sul com um apelo à esperança, teve eco na imprensa lusófona (Angola, Brasil).

Na linha do que acontecera em 13 de novembro de 2008, quando a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras proclamaram Mandela como académico de honra e Graça Machel (com quem casara em 18 Julho, dia em que fez 80 anos) como académica “lusófona” (categoria ainda não estatutária), as Embaixadoras da África do Sul em Portugal privilegiaram a sua paixão pela educação.

Conferencia Nelson Mandela

Invocou-se a mensagem “está nas vossas mãos” deixada no concerto 46664 (realizado em Londres em 24 de Junho de 2008). Como se sabe, pouco depois de libertado, Mandela interpelou os liceais de Boston, Mass. chamando à educação “a arma mais poderosa para mudar o mundo”, dados os seus efeitos na paz, ciência e desenvolvimento. Assim, em 2016, o Centro de Globalização & Governação na Universidade Nova de Lisboa esboçou um evento que pudesse Projetar o legado de Nelson Mandela na Universidade. O fito do comunicado de imprensa em língua inglesa em veio a concretizar-se na presença de um “grande defensor da democracia portuguesa” laureado pelo Prémio Mandela da ONU e da atual ministra da Justiça, natural de Angola, que falaram antes do coro cantar Siyahamba.

Depois do momento musical inicial, Grândola Vila Morena e Hamba Nathi (sequência bonita de Zeca e Zulu), realizou-se no Campus de Campolide um painel interdisciplinar com cinco professores e três alunos, dois daqueles e destes vindos do nóvel Nova SBE Campus frente ao Mar Oceano. Além dessa perspetiva de economia e gestão do desenvolvimento, a Reitora da Universidade Católica Portuguesa e a antiga diretora da Faculdade de Direito da Nova evidenciaram o humanismo de Mandela num contexto cultural adverso, salientando esta propostas inovadoras como a Comissão da Verdade. A colaboração científica foi ilustrada pelo diretor do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto.

Para entender as raízes académicas da colaboração entre os dois países, lembro um colóquio, “Saber Tropical em Moçambique: História, Memória e Ciência”, que teve lugar no Jardim Botânico Tropical em 2012, onde a Embaixadora da África do Sul, para reforçar a importância do desenvolvimento africano, afirmou que “esta é uma visão de Nelson Mandela, abraçada pelos seus sucessores, e uma estratégia global da União Africana”.

Respigo dois exemplos de como o académico Mandela assenta no ideal político e social de liberdade e segurança de um texto que eu próprio escrevi. No Verão de 2013, a Fundação Nelson Mandela promoveu em Setúbal um debate do qual recordo intervenções sentidas, como as de Mariano Gago e Francisca van Dunem, entre outras. Este ano, na hora da despedida, Pedro Passos Coelho lembrou que Mandela “profetizou e encarnou que é conciliando, juntando, unindo que nós conseguimos com generosidade acrescentar e chegar mais longe.”

Cabe ainda mencionar a contribuição de amigos do outro lado do Atlântico que conhecem a Nova SBE: James K. Galbraith, da Universidade do Texas em Austin, esteve presente, Edward Kannyo, do Rochester Institute of Technology e Rohinton Medhora, que dirige o Center for International Governance Innovation, enviaram mensagens. Quando este visitou Campolide em 2015, notou a “ecologia porosa” de ideias porquanto nenhuma parte do mundo detém o monopólio dessas e elas se transmitem rapidamente. Pode ser o caso do programa de doutoramento Tropical Knowledge and Management, oferecido pela Nova SBE em consórcio luso-africano, que une a biologia e a gestão para alavancar outras ações concretas! Madiba teria gostado.