Os anos que leva a geringonça parlamentar e governativa da esquerda, apesar da aparente estabilidade que tem parecido assegurar, não conseguem esconder a percepção de muitos (e que se acentua de dia para dia) de que se vivem tempos incertos, difusos e oscilantes.

A governação dos interesses particulares com descuido do interesse geral tem dessas coisas.

Porque estão em causa questões determinantes para o nosso futuro colectivo, do Brexit à pressão migratória, do autismo nacionalista americano à imparável preponderância chinesa, da anemia política-social-económica europeia à regressão demográfica e à crise do Estado social, é indispensável que se fale verdade, também na política ou essencialmente na política– um exercício que devia ser natural mas que os cantineiros (líderes é outra coisa) da geringonça abominam por natureza.

E é urgente em ano de eleições que se promova um debate político sereno e responsável que ponha um travão à tentação do populismo fácil, à ameaça das visões mais extremistas ou à pura e simples gestão das quotas de mercearia dos apaniguados do regime autoritário das esquerdas no poder.

Tem sido esse o sentido de Estado e o caminho trilhado pelo CDS, que deitou mãos à obra para Portugal poder mudar a bem.

Ao ruído revoltado de um tempo político transformista e ilusionista que parece preferir a excepção à regra e a vida dos animais à vida humana, a aposta do CDS é sempre nas pessoas. As pessoas que querem viver muito para lá do chicote sindical-ideológico autista e aperrado do PCP e do Bloco de Esquerda. Que são mais importantes do que a contabilidade dos números com que o PS sempre se enganou historicamente e sempre nos enganou. Que valem mais do que todos os cãezinhos e gatinhos anafados, calçadinhos e vestidinhos do pandémico PAN, que sonha com o regresso ao tempo em que os animais falavam.

Temos de pensar nas pessoas e nos seus problemas mais sérios, da liberdade de escolhas até à vitalização do sistema político e ao futuro económico e institucional da União Europeia.

E já agora, trago à liça, a propósito, alguns conselhos de base democrata-cristã da CDU alemã para que me alertava um avisado amigo de família que, como ponto de partida, nos podem dar o necessário enfoque para o a fazer (muito longe do “politicamente correcto”):

  1. É demagógico e errado pensar nas políticas e nas soluções sociais a partir das despesas: saúde, educação, cultura, combate à pobreza e à desigualdade.
  2. As soluções devem procurar-se partindo do lado da receita.
  3. A migração tem de ser disciplinada, i.e., tem de ter regras, para criar segurança e potenciar o número de trabalhadores qualificados no nosso país.
  4. A ponderação nacional das políticas europeias e da reforma do sistema político/institucional europeu deve ter obrigatoriamente em conta a consideração de que é absolutamente do nosso interesse continuar a beneficiar directamente de todas as economias de escala da União Europeia.
  5. É indispensável apoiar positivamente com legislação fiscal e laboral actualizada e eficiente o empreendedorismo, que cria trabalho, riqueza e promove as exportações.
  6. E depois, mas só depois, haverá dinheiro para gastar na saúde, educação, cultura e justiça social.

Porque a riqueza não são remessas europeias, nem impostos. E muito menos é o Estado clientelar que a sabe fazer. A riqueza dos povos e das nações é outra coisa. Não é de certeza um slogan estafado, nem uma cartilha ideológica surrada. E os animais não comem à mesa.

Advogado