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Ouvimos falar frequentemente sobre o conceito agile, sobretudo em empresas do setor tecnológico. Agile passou a ser uma palavra da moda. Em equipas e empresas, o uso da framework Scrum ou do método Kanban passou a ser comum em diversos contextos, aumentando a procura por perfis como Scrum Master e Product Owner para integrarem equipas e organizações que pretendem ser mais ágeis.

Em muitos casos, quando implementamos os métodos e frameworks agile, esquecemo-nos das pessoas e do espírito de equipa e focamo-nos apenas em mudar a forma como gerimos os projectos e não propriamente em melhorar a interação entre todos. Está nas mãos dos intervenientes que utilizam a framework Scrum, por exemplo, tirar partido de eventos do Scrum, como a Daily Scrum, o Sprint Planning ou a Sprint Retrospective, não como meras reuniões de trabalho mas sim como verdadeiras oportunidades de colaboração.

Podemos estar a caminhar para a utilização do agile apenas na implementação de ferramentas e métodos nas organizações. Quando percebemos que a solução para uma mais rápida resolução de problemas e desenvolvimento de novas soluções tecnológicas ou de soluções de outros sectores da nossa sociedade pode passar por uma melhor relação entre as pessoas, percebemos que ferramentas, métodos ou frameworks são só uma forma de alcançar as metas pretendidas. Por isso, o foco da aplicação desta metodologia deveria estar, primeiramente, no aumento da confiança, da colaboração, da comunicação, da autonomia, do respeito e da transparência entre as pessoas, sempre apoiados por um cumprimento de objetivos aliados a uma rápida adaptação à mudança.

Equipas multifuncionais a trabalhar em colaboração permanente com o mesmo objectivo são equipas mais focadas e direcionadas a criar o melhor valor para as suas organizações e para os seus clientes. Por isso, o mindset e as ferramentas agile podem ser o aliado perfeito para uma verdadeira mudança de mentalidades. Colaboradores mais felizes e clientes mais apoiados serão a chave para o sucesso das organizações.

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Quando recuamos ao início do movimento agile, que remonta à criação do Agile Manifesto, verificamos que tem como base quatro valores e doze princípios. Nos princípios, há referências como a “satisfação do cliente”, “a cooperação próxima entre cliente e equipa”, “desenvolvimento de projectos com base em indivíduos motivados”, entre outros. Se lermos os seus valores, encontramos dois que nos lembram a importância que têm as pessoas neste processo: “indivíduos e interações mais do que processos e ferramentas” e “colaboração com o cliente mais do que negociação contratual”.

Se olharmos com mais atenção para o mindset e para a metodologia agile, podemos descobrir uma forma diferente para mudarmos o mundo para melhor.

Ao mesmo tempo, acredito que a transformação agile pode também transformar as vidas fora das organizações. Se no dia-a-dia nos focarmos no que realmente é importante para cada um de nós, conseguiremos eliminar os obstáculos que muitas vezes nos impedem de ver, com clareza, o nosso caminho. Comunicarmos com mais gentileza, tolerância, verdade e respeito pelo outro permite uma maior flexibilidade de oportunidades para alcançarmos os nossos objectivos. As decisões tornam-se mais fáceis quando definimos com maior transparência o que queremos alcançar nas nossas vidas.

A implementação da metodologia agile nas organizações e no mundo é importante, mas a chave para o sucesso são pessoas felizes, dentro e fora das organizações. Estas, sim, podem transformar o mundo, tornando-o cada vez melhor.

O Observador associa-se à comunidade Portuguese Women in Tech para dar voz às mulheres que compõem o ecossistema tecnológico português. O artigo representa a opinião pessoal do autor enquadrada nos valores da comunidade.