Politicamente Correto

Muitos beijinhos à avozinha e ao avozinho

Autor
  • Teresa Cunha Pinto
4.912

Deparamo-nos com uma sociedade que vê desaparecer, a cada dia, aquilo que construiu ao longo de muitos anos, a inversão dos valores é avassaladora o que só acontece porque se coloca tudo no mesmo saco

A propósito do beijinho à avozinha e ao avozinho pouco ou nada há a dizer mas a verdade é que este desastre de ideia me deixou — e a muitas pessoas mais, felizmente — incomodada. Verdadeiramente incomodada tal é o disparate que corre no cérebro das pessoas que em tudo pensam, mas em nada acertam, tal é a perversidade das ideias.

A verdade é mesmo esta: num mundo onde tudo corre, onde as ideias se multiplicam, onde a sua proliferação é incontrolável e ilimitada, onde a desinformação nos invade de dia e de noite e onde os radicalismos surgem por falta de bom senso, tudo é possível!

Deparamo-nos com uma sociedade que vê desaparecer, a cada dia, aquilo que construiu ao longo de muitos anos, a inversão dos valores é avassaladora e assustadora e só acontece porque há confusão de conceitos, há falta de informação rigorosa e há a desastrosa tendência de se colocar tudo no mesmo saco, acabando por se perverter a realidade. Dizer que obrigar uma criança a dar um beijinho à avozinha e ao avozinho é educar para a violência sobre o corpo é o exemplo mais actual da perversidade que o pensamento da sociedade atingiu. Na sequência do movimento #MeToo, porque foi num debate centrado neste tema que surgiu esta frase, é ofensivo para todos os que disseram que se identificaram com os testemunhos e que contaram a sua história. Esta comparação estapafúrdia que nada traz de bom para Portugal e para o mundo foi colocada lado a lado com um tema tão sério como o assédio e a violação. Comparar estas duas situações é ridicularizar aquela que está na base do movimento, uma vez mais, é perverter tudo o que foi construído e pensado para um bem comum.

Falar disto sem falar nos radicalismos é impossível porque eles surgem quando a afirmação pessoal, política ou mesmo a afirmação da sociedade se sente ameaçada. Aqui reside a fonte dos radicalismos que têm proliferado actualmente, a necessidade primária de marcar território, a sede de poder e de auto-afirmação.

Actualmente estes pensamentos extremados, que nada de bom nos trazem, têm a sorte de conseguirem chegar aos quatro cantos do mundo pelas facilidades que a internet e as redes sociais proporcionam. Como em tudo, podem ser usadas para o bem ou para o mal. A verdade é que as posições extremadas polarizam a sociedade e não dão espaço para que se construa uma linha de pensamento e de actuação que seja benéfica para todos. Resta-me perguntar: no meio de tudo isto onde está o bom senso?

Estudante, 22 anos

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

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