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“Não há nada de novo sob o sol”, diz sabiamente o Eclesiastes, e eu não podia estar mais de acordo. “O que foi é aquilo que será, o que se fez é o que se fará”. Com algumas excepções aparentes, as mesmas coisas  retornam eternamente e é fútil julgá-las novidades. Pelo menos no que diz respeito às maneiras de pensar. Quanto aos seus objectos, é de admitir alguma variação. Mas quanto aos costumes não. Eles repetem-se vezes sem fim, e, quando os cremos passados, eles de novo aparecem, logo ao virar da esquina.

Esta verdade básica é-nos lembrada quotidianamente. Um exemplo entre mil é a recente polémica em torno dos acordãos do juiz Neto de Moura. Confesso que não os li, como praticamente não li, tirando os títulos, o muito que se escreveu sobre o caso. De qualquer maneira, creio ter percebido que o juiz, num desses acordãos, se sentiu na necessidade de proceder ao que ele aparentemente supõe ser uma resenha histórica das reacções masculinas ao adultério, que ele considera pecaminoso, sendo a conclusão que toda a gente tirou daí (provavelmente com muita razão) a de que aquilo acabava por ser uma legitimação do comportamento dos cíclopes que, dentro ou fora da sua caverna, espancam as suas mulheres. O argumentário do juiz, se se assemelha à ideia com que dele fiquei, não me é menos repulsivo do que ao grosso da opinião publicada. Mas numa coisa ele segue um velho costume assaz curioso que muitos juízes parecem particularmente afeiçoar: a incursão pelos grandes frescos morais.

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