Lembram-se daquela coisa que se fazia antigamente, como é que se chamava? Está mesmo debaixo da língua. Não, espera, isto é o comprimido de cianeto. Caso o vírus dizime toda a humanidade menos eu e a Greta Thunberg. Já sei! Viajar! Era isso, viajar. Lembram-se? Saíamos de casa, metíamo-nos numa série de meios de transporte e chegávamos a outro sítio, às vezes até no estrangeiro. Havia, inclusive, casos em que o destino era noutro continente! A sério, juro. Enfim, para estes dias de clausura, deixo-vos um guia turístico de destinos de pesadelo.

Espanha — Perante a gestão da crise de coronavírus, acumulam-se as críticas ao governo espanhol. Quem podia imaginar que uma dupla formada por um inepto socialista – passe a redundância – e por um lunático comunista – passe a redundância – financiado pela Venezuela e pelo Irão fosse dar para o torto? Mais do que o número de contaminados, ou mesmo que o número de óbitos, a maior prova de que a situação em Espanha é desesperada é o facto de, por lá, António Costa ser visto como um grande estadista.

Áustria — Depois de se descobrir que foi a partir de uma estância de esqui deste país que o vírus se espalhou por grande parte da Europa, preconizo um cerco sanitário à Áustria. É que já é o segundo século seguido em que da Áustria sai uma praga que ameaça desgraçar todo o mundo. Para mim, era fechar-lhes de imediato as fronteiras e no final de 2100 voltávamos a conversar. E, não, nem a re-transmissão do clássico “Música no Coração” a cada Natal dos próximos 80 anos me fará mudar de ideias.

Tailândia — Seguindo de forma rigorosa as indicações da Organização Mundial da Saúde, o Rei deste país está em isolamento profiláctico em casa. Quer dizer, numa casa. Bom, na verdade, é um hotel. Na Alemanha. Numa zona em que todos os hotéis foram fechados, mas este abriu uma excepção para o Rei da Tailândia ficar isolado. Com o seu staff de não se sabe quantas pessoas. Mas do qual fazem parte 20 concubinas. Que o Rei garante que são, isso sim, enfermeiras. Ou pelo menos vestem-se de enfermeiras. E às vezes de criadas. E outras de colegiais. Tendo o monarca assegurado que, se a situação se complicar, também se podem vestir de médicas. Com máscaras, óculos de protecção e tudo.

China — O maior especialista em coronavírus da China garante que o “grande erro da Europa é não usarem máscaras”. Devíamos dar ouvidos às autoridades chinesas. Afinal, eles são fortíssimos em tudo o que tem que ver com máscaras. Assim que aconteceram os primeiros casos, mascararam a gravidade do coronavírus. Depois, trataram com zelo dos médicos e jornalistas que desmascararam o encobrimento do estado chinês. E, por fim, os dados que apresentam sobre a evolução dos casos na China são uma mascarada. Portanto, o maior erro é, sem dúvida, não usarmos máscaras. O segundo maior é confiarmos nas máscaras que vêm da China, provavelmente fabricadas por indivíduos com dietas todas elas à base de morcego e pangolim.

Estados Unidos da América — A fazer fé nas teorias da conspiração inventadas pelos chineses, segundo as quais foram os americanos que criaram a COVID-19 e a levaram para a China, e tendo em conta o disparar do número de casos nos EUA, a expressão “Dar um tiro no pé” tem de ser reinventada. Sugiro “Colocar um vírus na glote”.

Portugal — Dados recentes confirmam que os portugueses estão a ensandecer por estarem trancados em casa. A prova? Numa sondagem feita no passado fim de semana, o Chega de André Ventura recolheu 8,1% das intenções de voto. Mais umas semanas de quarentena e quando voltarmos à rua já temos um Salazar em cada esquina. A propósito, o ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, admitiu que “o Estado tem ferramentas para nacionalizar empresas e vai usá-las se achar conveniente“. O Partido Comunista e o Bloco de Esquerda esfregaram as mãos e não foi para as higienizar. O júbilo deles é o nosso pesadelo: confirma-se que a utopia é um vírus.