Eis senão quando, algo de positivo saiu desta pandemia. António Costa veio explicar-nos como devemos festejar o Natal este ano. Segundo o Primeiro-Ministro, a forma correcta de levar a cabo as próximas festividades natalícias passa por as famílias se juntarem não simultaneamente, mas em momentos diferentes”. Vai daí, e no âmbito de uma petição de médicos dirigida ao povo português, os clínicos deixaram bem claro que esta dica de Costa “é o que não se deve fazer.” Ora, assim sim, as medidas do Governo ficam bem claras para todos os cidadãos. Também em termos de festejos de Natal, a solução é ouvir António Costa e não fazer, nem como ele diz, nem como ele faz.

Aliás, olhando para o que sucedeu, por exemplo, com a aplicação StayAway COVID, dá ideia que os portugueses, revelando enorme sagacidade, já vêm aplicando esta máxima há algum tempo. Ao apelo do Primeiro-Ministro para que entendêssemos que “é um dever cívico descarregar esta aplicação”, responderam os portugueses com a seguinte estatística: em 184.997 casos de COVID, só para 3,3% destes os médicos geraram os códigos que permitem a uma pessoa identificar-se como infectado. É que trata-se de um valor mesmo muito diminuto. Até para António “Vitórias por Poucochinho” Costa.

Já o Presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, continua assaz entretido com as suas aulas de Educação Visual. É mesmo um fanático das pinturas — espera, não acredito. Outro “FDP”?! –, o líder da capital. Entre a pintura de uma rua de verde e a decoração de uma passadeira com as cores do arco-íris, Medina lá largou a trincha e decidiu pegar no seu lápis azul para assinalar que teria muito gosto em ver o Chega ilegalizado. O que acaba por ser curioso é que Medina partilha o nome com a cidade para onde Maomé foi depois de ser expulso de Meca e agora é o próprio Presidente da Câmara que regozija perante a possibilidade de expulsar os infiéis do templo socialista que é Portugal.

Estou certo que, em breve, veremos Fernando Medina numa daquelas manifestações promovidas pelos seus comparsas do Bloco de Esquerda em que se entoam cânticos desejando o falecimento de líderes democráticos estrangeiros, e em que independentemente da temática do protesto surge o inevitável cartaz exigindo “Legalize Marijuana”, empunhando o seu próprio póster com os dizeres “Ilegalize André Ventura”.

Vem isto na sequência da viabilização, por parte do Chega, de um governo de direita nos Açores. Tal provocou escândalo pelo facto de ter permitido ao partido de Ventura entrar no chamado “arco da governação”. “Arco da governação” que, no fundo, era um clube algo restrito onde entravam apenas partidários da democracia. Acontece que a crise bateu à porta do boteco que, em troca de um consumo mínimo de valor equivalente a duas minis, passou a deixar entrar toda a sorte de mânfios para quem “democracia”, “Venezuela” e “Coreia do Norte” são tudo sinónimos.

Agora que o PSD trouxe o Chega para o “arco da governação”, ficamos todos muito curiosos para ver como é que o partido de Ventura se irá comportar. À partida, eu acho que o Chega também tem direito de, digamos, participar nos jogos do arco. Dito isto, e em termos de jogos tradicionais, devemos, no entanto, ficar atentos a eventuais tentações, por banda de André Ventura, de brincar, por exemplo, ao “Jogo das ligações fascistas escondidas”, ao “Mamã, dá licença de porte de arma?”, ou ao “Jogo do bota de elástico”.