Depois de um ano 2020 atípico, em que uma pandemia nos obrigou a adiar projetos, a enfrentar o afastamento físico uns dos outros e a ter muitas limitações na nossa liberdade individual, o desafio de nos mantermos sempre ligados foi ainda maior. A inovação permanente e a colocação do interesse das pessoas e da saúde de todos como prioridade foram os motes necessários para conseguir ultrapassar com distinção os problemas que 2020 nos colocou, mitigando os efeitos económicos e sociais nefastos que a Covid-19 nos trouxe.

Novo ano é, por norma, sinónimo de novas esperanças, novos objetivos e novos desafios e 2021 não será exceção.

As novas esperanças são, atualmente, muito potenciadas por termos em curso a primeira fase do plano de vacinação, que veio afirmar e provar a importância do projeto político europeu. Uma das grandes figuras do ano 2020 é Ursula von der Leyen, a Presidente da Comissão Europeia, que depois do Brexit, consegue com que a União Europeia dê uma resposta francamente positiva face à pandemia. Problemas globais pediam respostas globais e hoje temos mais esperança que 2021 será um ano consideravelmente melhor a nível económico, social e ambiental devido às fortes medidas que foram anunciadas e que estão a ser implementadas a nível europeu.

Os novos objetivos estão alicerçados naqueles que serão os momentos políticos do ano, eleições presidenciais e eleições autárquicas. Estes novos objetivos passam por, em plena pandemia, aumentar a participação democrática e combater a abstenção. Hoje, mais do que nunca, sabemos da importância de ter líderes políticos assertivos, credíveis e europeístas. A nossa falta de participação leva a que as escolhas não apresentem tais predicados, criando-se por vezes instabilidade política e levando a dificuldades na governação dos territórios. Assim sendo, é importante dizermos presente nestes momentos eleitorais, que certamente irão marcar os próximos ciclos políticos em Portugal e em muitos dos nossos municípios.

Atualmente, atravessamos um período onde as discussões são cada vez mais assentes em grandes cargas ideológicas, fazendo parecer que caminhamos para a construção teórica de uma nova civilização extremada, ora à esquerda, ora à direita. Moderar o discurso e orientá-lo para a procura de soluções realistas para o desenvolvimento do território e para os problemas do dia-a-dia das pessoas, umas mais à esquerda, outras mais à direita, é o grande desafio político do novo ano. Sem conseguirmos incorrer nesta premissa, corremos o sério risco de polarizar por completo o espectro político, colocando em causa valores democráticos que damos como garantidos e excluindo as melhores soluções para certas temáticas só por serem consideradas ideologicamente antagónicas.

Podemos concluir que este será um ano preponderante para o futuro da nossa democracia e onde não nos pudemos descartar das nossas responsabilidades enquanto cidadãos.

Uma democracia, que queremos que evolua e seja mais sólida, precisa de mais participação e menos abstenção, mais credibilidade dos partidos moderados e menos fenómenos populistas dos partidos dos extremos, mais verdade e transparência e menos fake news.

As autárquicas apresentam-se como a grande oportunidade do novo ano. É necessária a reaproximação dos partidos tradicionais e moderados ao seu eleitorado de outrora, corrigindo erros do passado e lançando as bases necessárias para combates futuros aos novos movimentos extremados e populistas que tendem a crescer a curto prazo. Esta é a melhor garantia que se poderá ter, para que não seja colocada em causa a nossa história democrática e também os nossos direitos e liberdades que tanto prezamos.