Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

E eis que a escassos dias das eleições descobrimos que vivemos, não no que julgávamos ser um país europeu do século XXI, mas sim num conto dos irmãos Grimm. Com a diferença que estas fábulas foram obra de apenas dois irmãos, ao passo que em Portugal tudo o que é obra está a cargo dos mais variados familiares de dirigentes do Partido Socialista.

Neste reino de fantasia que habitamos há um papagaio-mor, que ninguém sabe quem é mas toda a gente percebeu imediatamente que se trata de Marcelo Rebelo de Sousa. E depois há a grã-toupeira, o primeiro-ministro António Costa, que nunca enxerga nada do que sucede mesmo ao seu lado. Ora, o roubo em Tancos e consequente demissão do ministro da defesa, Azeredo Lopes, colocou em confronto estes dois animais mitológico-políticos, tendo o Partido Socialista insinuado que o Presidente da República também estaria envolvido no encobrimento do caso. O que por um lado é grave, mas por outro cala quem acusa António Costa de fazer uma campanha repleta de promessas sem pés nem cabeça. Pode efectivamente não haver pés nem cabeça, mas pelo menos não têm faltado dedos da mão. Depois de num debate com Assunção Cristas o primeiro-ministro ter avisado que não valia a pena “estender o dedinho”, foi agora a vez do PS apontar o dedo ao Presidente da República. Enfim, longe vai o tempo, por exemplo, do “Paz, pão, povo e liberdade”. Esta campanha, por sua vez, decorre sob o signo do metacarpo, falange, falanginha e falangeta.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.